ONG tenta derrubar mito do vestibular
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Da Redação 
A desmitificação do vestibular é o tema da palestra que o professor de história, o ponta-grossense Alecsandre Pires, 26 anos, está fazendo em várias escolas de Londrina, durante esta e a próxima semana. A palestra, gratuita, é oferecida pelo Projeto Apoio, uma organização não-governamental (ONG) que conta com ajuda do Ministério da Educação e do Desporto (MEC).
Pires, formado há quatro anos pela Universidade Federal do Paraná e há três trabalhando como palestrante de vestibular - como se denomina -, diz que o Projeto Apoio existe há 14 anos e é coordenado por professores de várias universidades do País. Nosso objetivo é ajudar os alunos de 2º grau a ter uma preocupação maior com o aprendizado e a buscar qualidade no ensino, em vez de ficar apenas decorando fórmulas para passar no vestibular, afirma.
Pires diz que é preciso mudar a mentalidade corrente de que, para conquistar uma vaga em faculdade, é preciso frequentar uma escola particular. Não é fato de fazer cursinho que dá a garantia de acertar todas as questões, observa. Ele diz que existem escolas particulares que prezam apenas o fato de conseguir fazer o aluno passar. Estas escolas eu chamo de conteudistas, só despejam o conteúdo que pode cair em um vestibular, diz. Por sua vez, alunos de escolas públicas podem ter as mesmas chances dos de escolas particulares. A questão é saber utilizar muito bem os poucos recursos que a escola ofereça, aponta.
A mentalidade derrotista é uma das primeiras coisas que devem ser mudadas para ter sucesso no vestibular. E isto começa pelos próprios pais. O custo da educação deve ser encarado como investimento e não como gasto. Além disto, outro erro grave que os pais cometem é investir no filho apenas no terceirão, quando são o primeiro e segundo anos que determinam a base para futura faculdade, observa.
Segundo ele, as palestras tratam da desmitificação das estratégias utilizadas nos concursos e que determinam quem vai ser classificado ou não nos vestibulares. Vestibular é mais que conteúdo, é uma prova de apreciação do que o aluno aprendeu no segundo grau, explica. Pires afirma que está ocorrendo uma mudança nas universidades que é uma consequência do momento no mercado de trabalho. A globalização exige qualidade e preparo. Se o futuro profissional não aproveitar bem o aprendizado, não vai ter condições de conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho, afirma.
As palestras, segundo o professor, são divididas em quatro pontos. No primeiro, ele mostra qual o perfil do candidato bem-sucedido hoje e nos próximos vestibulares. É o perfil da qualidade. O aluno que realmente aproveita o estudo do 2º grau, diz. No segundo ponto, Pires fala sobre a estratégia de eliminação do excesso de vestibulandos. Ela parte do princípio de que é extremamente difícil passar em um vestibular, uma visão que foi imposta pela própria sociedade. O aluno que acredita nesta dificuldade vai se estressar além da conta e, mesmo que estude muito, não terá condições de responder as questões, observa.
Pires explica que, no terceiro ponto, mostra aos alunos sobre a montagem das questões a ser respondidas. Muitas faculdades pegam provas de outras instituições e isto acaba que meio padronizado, explica, citando como exemplo a Universidade Estadual de Londrina, que contrata a Fundação Carlos Chagas para a confecção das provas. Hoje, porém, muitas estão investindo no vestibular vocacionado, que prioriza as potencialidades da área e o conhecimento abrangente, explica. Para encerrar, Pires aponta aos alunos como estudar, utilizando uma técnica de neurolinguística chamada Memotécnica, com o qual, segundo ele, o aluno estuda um exercício e aprende seis. É uma técnica que estimula a capacidade abrangente, afirma.
As palestras duram de 50 a 75 minutos e, segundo ele, o índice de aprovação em vestibulares pulou de 40% para 85% nas escolas onde foi feita a apresentação. Em cada 10 alunos que ouvem a palestra, quatro passam no vestibular. E, de cada 10 alunos que estudam com a memotécnica, oito passam, garante.
A única coisa que o professor pede às escolas, em troca de seu trabalho, é uma declaração comprovando sua apresentação. O meu objetivo pessoal é conseguir uma bolsa de especialização em História da América Latina, em Buenos Aires. Para isto, eu preciso destas declarações. Até o momento, Pires já se apresentou em três escolas londrinenses e tem mais três programadas.


