Dimitri do Valle
De Curitiba
Uma estrada esquecida pelo tempo no meio da Serra do Mar está sendo restaurada. Os 12 integrantes da Organização Não Governamental (ONG) Caramuru querem concluir até o final do ano a limpeza e recuperação do Caminho do Arraial, antiga ligação colonial usada no século 17 entre São José dos Pinhais e Morretes. O caminho serviu para movimentar uma economia que na época foi marcada pela corrida do ouro e a extração de madeira.
O presidente da ONG, Paulo Nenevê, conta que a estrada estava abandonada há cerca de 30 anos. O trabalho voluntário da entidade, que é formada por ambientalistas e alpinistas, pretende preservar a originalidade do Arraial, que é pavimentado com pedras. Em 1997, a Secretaria de Estado da Cultura autorizou o grupo a reativar o caminho, que é considerado patrimônio histórico do Paraná.
Aproximadamente 20% da ligação já foi recuperada. A previsão é de que até o final deste ano estejam montados dois pontos de fiscalização, placas de advertência e indicativas para os visitantes não se perderem na mata. A presença de pessoas na trilha só será permitida com o auxílio de um guia da ONG Caramuru. ‘‘Ali é muito fácil se perder’’, diz Paulo. Para evitar que o meio-ambiente sofra agressões, o presidente da ONG afirma que será feito um controle rigoroso dos pertences que serão levados pelos aventureiros.
‘‘Tudo será catalogado para se saber o que vai ou não para o lixo’’, acrescenta Paulo Nenevê. O trajeto pode ser cumprido em nove horas, se os visitantes apertarem o passo ou em dois dias com intervalos de seis horas. O Caminho do Arraial começa na Colônia Muricy, em São José dos Pinhais, e termina a três quilômetros do centro de Morretes. O início da ligação, segundo Paulo, não existe mais, pois foi destruído por moradores da colônia.
Paulo Nenevê relata que os índios foram os precursores da abertura do Caminho do Arraial. Através dos nativos, é que os colonizadores eram guiados até seus destinos. A ligação foi aberta em 1640, mas por volta do ano de 1700 foi esquecida, já que o interesse pela extração de ouro no Brasil migrou para Minas Gerais. Arraial foi o primeiro nome dado a São José dos Pinhais. O presidente da ONG Caramuru comenta que 90% do caminho ainda permanece original porque ficou longe de qualquer ação predatória do Homem. ‘‘Era uma história do Brasil colonial que estava sendo perdida e precisa ser preservada’’, observa.Voluntários recuperaram 20% da antiga ligação colonial, que vai de São José dos Pinhais a Morretes e estava abandonada
Paulo R. Nenevê/DivulgaçãoCaramuruAcima, um riacho da Serra do Mar, cortado pelo Caminho do Arraial, que liga São José dos Pinhais e Morretes. A estrada, que foi uma importante ligação colonial, estava abandonada há 30 anos e agora está sendo recuperada pela Organização Não Governamental Caramuru. Ao lado, Egon Piaseki, Cristiano e Paulo Nenevê, ambientalistas e montanhistas, membros da ONG que estão fazendo trabalho voluntário de recuperação

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