A Organização Não-Governamental (Ong) Ambientalista Movimento Nossa Terra, de Rolândia, questiona a construção de um poço artesiano de 130 metros de profundidade na área do novo aterro sanitário do município. Segundo o integrante da Ong, Daniel Steidle, o professor titular do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), André Virmond Lima Bittencourt, visitou o aterro e alertou sobre o risco de uma contaminação do lençol freático profundo. ‘‘De acordo com o professor, abriu-se uma porta de contaminação para o lençol hídrico profundo da região’’, afirmou.
Steidle esteve ontem à tarde no aterro e junto com sua mãe, a agricultora Ruth Stleide, alertou para um eventual risco de comprometimento da futura disponibilidade de água para Rolândia porque, segundo ele, o aterro foi construído próximo às bacias dos rios Caioby e Águia. Ruth Steidle afirmou que o poço artesiano não está previsto no projeto original da obra. Porém foram construídos apenas dois, dos três poços para sondagens sobre a eventual contaminação do lençol freático superficial (aproximadamente 30 metros).
Em dezembro do ano passado o Movimento Nossa Terra ingressou com uma ação civil pública pedindo a suspensão da obra, alegando a falta de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para a construção do aterro. O pedido de liminar
foi indeferido pelo juiz Antonio Zeikiti Tayama e o processo se encontra em fase de recurso no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. ‘‘É uma área de alto potencial turístico. Essas duas preocupações nos levaram a pedir esse estudo’’, afirmou Steidle.
O promotor de Meio Ambiente de Rolândia, Hideraldo José Real, lembrou que a prefeitura do município tem até o dia dois de novembro para desativar o atual aterro sanitário e promover a recuperação da área. ‘‘No dia dois a área deverá estar recuperada, mas a informação que recebi é que pediram à Universidade Estadual de Londrina (UEL) para fazer um projeto de recuperação’’, disse o promotor. A ação pela desativação do aterro sanitário de Rolândia foi proposta em 92 e a prefeitura poderá sofrer multa diária de R$ 1 mil se não cumprir a determinação judicial. O secretário de Meio Ambiente de Rolândia, Claudinei Barão Sanches, foi procurado pela Folha, mas não retornou as ligações.

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