A Organização Não-Governamental (ONG) Liga de Prevenção e Combate à Aids (Lipca), de Curitiba, está tentando negociar com o Ministério da Saúde autorização para vender um kit de diagnóstico rápido do vírus HIV. O teste, do laboratório norte-americano Simplex, usa a saliva e divulga que o suposto resultado sai em 15 minutos.
A venda do produto foi duramente criticada por entidades de combate à Aids e por médicos, que qualificam o kit como uma aberração, segundo publicou o jornal ‘‘Folha de São Paulo’’, em 5 de janeiro. ‘‘Trata-se de uma blasfêmia, uma deseducação’’, disse Euclides Ayres de Castilho, coordenador nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde.
Apesar da reação do ministério, a Lipca quer legalizar também a venda de outros kits, da mesma empresa, para testes de gravidez e doenças na próstata, chagas, hepatite e alcoolismo, entre outras.
Conforme o diretor da ONG José Cláudio Stevanni, a Lipca prepara um documento para enviar ao ministério. A ONG pretende anexar kits para análise dos técnicos do Ministério da Saúde. A intenção da Lipca é negociar o Simplex em hospitais, farmácias, aeroportos, portos e postos de saúde, entre outros estabelecimentos. Segundo Stevanni, o teste teria 98,7% de eficácia.
Embora não tenha licença para venda no Brasil, o Simplex entrou no País clandestinamente, através da fronteira com o Paraguai, sendo revendido por sacoleiros. Um representante da Lipca no Paraguai, Alberto Luder, 55 anos, teria feito a venda irregular, segundo disse ontem Stevanni. No Paraguai, o kit custa R$ 15,00.
Ontem Stevanni, negou que Luder teria dito que o teste substituiria o uso de preservativo nas relações sexuais, conforme publicaram diversos jornais. ‘‘A camisinha é insubstituível’’, disse. O diretor afirmou que as informações foram distorcidas pelos jornais e que a ONG pretende processá-los. A Vigilância Sanitária de Curitiba deve decidir hoje como vai fiscalizar a entrada do produto em Curitiba.

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