O presidente da organização não-governamental (ONG) Aliança, pastor Cloves José de Pinho, participa de uma reunião na Câmara de Vereadores na próxima segunda-feira para relatar a situação do asilo Ebenézer, localizado no Jardim Itapoá (Zona Sul de Londrina). O local era administrado pela ONG e foi fechado por determinação da Justiça no último dia 26 de fevereiro.
A Vigilância Sanitária municipal, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e o Ministério Público (MP) apontaram que o Ebenézer não contava com um número suficiente de profissionais qualificados para atender os idosos e tinha problemas de estrutura e de higiene. A reabertura do asilo foi condicionada a mudanças como a reforma do prédio, que, segundo Pinho, está parada porque a ONG Aliança não tem dinheiro para as obras.
''Não recebemos mais os repasses da prefeitura (que vinham pela Secretaria Municipal do Idoso), não temos mais a contribuição das aposentadorias dos idosos atendidos e já estávamos com dificuldades devido a um roubo ocorrido em dezembro, que nos deu um prejuízo de R$ 8 mil'', disse o presidente.
Na reunião de segunda-feira, os representantes da ONG apresentarão uma prévia do orçamento das obras de reforma. Depois disso, os vereadores tentarão pleitear verbas junto ao poder Executivo. Até ontem à tarde, Pinho não tinha estimativas de quanto custariam as obras.
Na semana passada, o delegado do 4º Distrito Policial (DP), José Arnaldo Peron Martins, abriu inquérito para investigar a morte de Carlos Nélson Piller, 90 anos, e Lourdes Maria Silva Alves, 87. Eles estavam no Ebenézer e faleceram em hospitais de Londrina dias após o fechamento do local. O MP, que requisitou a investigação policial, quer apurar se os dois idosos foram vítimas de negligência no asilo. Quando foi fechado, o Ebenézer abrigava outros 35 idosos, que foram encaminhados para suas famílias ou centros de convivência.
A causa da morte de Piller foi uma anemia profunda. Já Lourdes foi vitimada por peritonite (infecção na região abdominal) e insuficiência renal. Até ontem, a Polícia Civil havia tomado depoimentos de parentes dos idosos e de Vera Pinho, vice-presidente da ONG. Nas próximas semanas, devem ser ouvidos Cloves Pinho, os enfermeiros do Ebenézer e representantes das entidades que vistoriaram o asilo. O prazo para conclusão do inquérito é 10 de abril.

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