Ativistas da organização não-governamental (ONG) Associação de Defesa e Educação Ambiental (Habitat) querem barrar na Justiça o uso das garrafas plásticas fabricadas com resina de politereftalato de etileno (PET). Cerca de 40 ações foram impetradas no Fórum Cível de Curitiba contra empresas que utilizam as embalagens para acondicionar refrigerante, xampu, água mineral, vinho e produtos de higiene bucal. Os autores das ações dizem que a resina prejudica o meio ambiente. A decisão judicial era esperada para ontem, mas pode sair somente na próxima semana.
José Carlos Fagundes Cunha, que integra a Habitat, diz que a resina polui no momento em que é produzida. Ela contém derivados do petróleo. Na queima para transformar o material, o gás carbônico causa estragos na atmosfera. As embalagens levam em média de 400 a 500 anos para se dissolver. Fagundes descreve que nem assim a natureza escapa do perigo. Os resíduos atingem o lençol freático, que são as reservas de água potável do subsolo.
Outro problema causado pela resina PET está na própria reciclagem. Cunha revela que, apesar das garrafas plásticas serem reaproveitadas, não existe um mercado que absorva a produção. Na indústria de bebidas, por exemplo, o ativista menciona que é mais vantagem comprar lotes de garrafas novas do que recicladas. ‘‘O imposto cobrado é o mesmo’’, explica. A única saída do material é na produção de vassouras. A resina foi testada como recheio de colchões e poltronas. Não deu certo. O produto foi descartado para não colocar o consumidor em risco de vida. O plástico é inflamável e pegou fogo em testes executados nos Estados Unidos.
Em Curitiba, uma estimativa feita pela Habitat indica que aproximadamente 22,5 milhões de quilos de embalagens de resina PET estejam dispersas pelo meio ambiente. A explicação pode estar na difícil manuseabilidade do material. Ele chega a ser recusado por empresas recicladoras e em aterros sanitários. ‘‘Ele é muito difícil de ser compactado’’, afirma Fagundes. Ele acrescenta que a reciclagem destas garrafas torna-se mais cara no Brasil.
Caso ganhe a ação na Justiça, a ONG pretende promover uma campanha de conscientização. O efeito da decisão, destaca Fagundes, pode valer para todo o território nacional. ‘‘A proposta é que ninguém jogue as garrafas fora. Que elas sejam utilizadas como bônus na hora da troca.’’
Além de poluir o ar, as embalagens entopem bueiros, causam a proliferação de mosquitos e matam rios. O substituto eventual das garrafas plásticas é o vidro. ‘‘Ele é menos prejudicial ao meio ambiente’’, observa Fagundes.

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