ONG quer processar Sanepar por poluição
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Organização Não Governamental (ONG) Patrulha das Águas entregou ontem à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente um pedido de instauração de processo criminal contra a Sanepar em Londrina. A ONG entende que a empresa de saneamento paranaense deveria ser responsabilizada pelo transbordamento de oito postos de visita que atingiu o Córrego Bom Retiro, um afluente do Ribeirão Quati, que corta o Centro Social e Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (área central). O promotor Cláudio Esteves não deu prazo para análise do pedido.
Segundo o presidente da ONG, João Batista Moreira de Souza, ''a situação no local é caótica e o descaso é terrível''. O pedido de ação contra a Sanepar, argumentou, foi uma tentativa de se buscar um acordo com a empresa no sentido de que sejam mantidas equipes de tratamento e prevenção no local.
Para o ambientalista, o transbordamento da rede naquele local acontece basicamente porque o emissário próximo ao CSU, feito há cerca de quatro, teria sido subdimensionado. Quando ocorrem chuvas, a estrutura não suporta o aumento do volume de líquido.
A Sanepar foi autuada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) por causa do transbordamento da rede. A Sema aguarda agora a conclusão do laudo do Instituto de Criminalística para definir o valor da multa a ser aplicada. A empresa também sofreu uma segunda autuação relativa ao rompimento de uma tubulação no Córrego das Pombas, que divide as pistas da Avenida 10 de Dezembro.
João Batista reclamou ainda que a água do Córrego do Leme, que desemboca no Lago Igapó 1, continua com coloração incomum indicando contaminação por esgoto doméstico. A Folha esteve no local e constatou o problema. O fato foi reforçado por alguns pescadores que relataram que a água tem apresentado a cor acinzentada há alguns dias.
O secretário municipal de Meio Ambiente, João Mendonça, revelou que análise laboratorial da água do Leme constatou uma concentração de coliforme fecal 300 vezes maior que o aceitável: 300 mil coliformes em 100 mililitros (ml) de água quando o tolerável é de mil coliformes para cada 100 ml de água. A análise, destacou Mendonça, comprova o despejo de esgoto doméstico no córrego e deverá ser feita nova coleta de amostras. Por causa dos diversos casos de derramamento ou vazamento de esgoto registrados nas últimas semanas, a Sema solicitou informações à Sanepar sobre as ações de verificação e de prevenção nas tubulações de esgoto da cidade.
A Folha procurou a direção regional da Sanepar mas ninguém foi localizado até o fechamento desta edição.


