ONG propõe parceria com prefeitura para garantir o cursinho
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Luka Morais 
Dorico da SilvaPropostaCoordenadores do Peju reuniram-se ontem com o prefeito Antonio Belinati: apoio para o cursinho
Depois de atingir o assalariado rural temporário, os coordenadores decidiram levar a idéia adiante. Criaram a Organização Não-Governamental Apeart (Associação Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário), que desenvolve vários projetos na área de educação popular.
Um deles é o Projeto de Educação do Jovem à Universidade (Peju), que atende aproximadamente 250 alunos-trabalhadores, sem condições de frequentar um cursinho particular de preparação ao vestibular.
O Peju deve ganhar em breve o apoio da Prefeitura de Londrina. Ontem pela manhã, coordenadores do cursinho para carentes estiveram reunidos com o prefeito Antonio Belinati (PDT), propondo uma parceria. O cursinho foi um dos compromissos assumidos por Belinati durante campanha política.
São cinco núcleos que funcionam em salões paroquiais de quatro bairros de Londrina e um de Cambé. A preparação dos alunos - que pagam a taxa mensal de R$ 30,00, mais R$ 25,00 de material didático - é feita durante seis meses. Os professores recebem R$ 7,00 por aula. Alguns são voluntários.
O resultado do trabalho, segundo a coordenadora do Peju, Martinha Clarete Dutra Biliatto, pode ser avaliado pelo índice de aprovação no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No concurso realizado em julho do ano passado 33% dos alunos foram aprovados em nove cursos ofertados pela UEL. Em janeiro, o índice de aprovação foi de 27%. Nossos alunos são aqueles que ficaram anos sem estudar, não têm uma base de Física e Química e que necessitam de um reforço, de um atendimento individualizado, diz a coordenadora.
Peju aprovou 33%
dos seus alunos
no vestibular
de julho da UEL
Para desenvolver o trabalho alternativo, a associação tem convênio com um cursinho de Curitiba que fornece material didático. O presidente da Apeart, padre Dirceu Fumagalli, afirma que, mesmo cobrando uma taxa simbólica em relação às mensalidades dos cursinhos particulares, muitos alunos acabam tendo que deixar as salas de aula por não terem condições de pagar. Decidimos propor essa parceria para poder atender um número maior de alunos e a custo zero, disse. A Apeart já recebeu pedidos de várias cidades da região interessadas em contar com um núcleo.
Segundo Fumagalli, cada núcleo do Peju tem um gasto mensal de R$ 1.500,00, incluindo professores e secretárias. Durante a reunião com o prefeito e com alguns secretários, chegou a ser cogitada a liberação de professores da rede municipal para ministrar as aulas do cursinho. O coordenador do Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), Durvalino Biliatto, também participou da reunião.
O prefeito Antonio Belinati acenou com a possibilidade de atender ao pedido da associação. O projeto contempla o interesse da Prefeitura e vamos no mais curto espaço de tempo dar um retorno sobre essa parceria, disse o prefeito. Ele garantiu que ontem mesmo trataria do assunto durante almoço com o diretor-presidente da Sercomtel S/A, Rubens Pavan. O prefeito anunciou a intenção de criar uma fundação ligada à Sercomtel para gerenciar recursos a serem destinados aos programas do município. Procurado pela Folha, Pavan não quis dar detalhes. Há vários projetos, mas que estão na fase embrionária.
Serviço: As aulas do Peju começam no dia 17 de fevereiro. As inscrições poderão ser feitas a partir do dia 3, na rua Professor João Cândido, 118, sala 9, Edifício Ohara. O valor da matrícula é R$ 20,00. As aulas serão dadas à noite. Informações pelo fone 321.4931.


