ONG propõe modelo de aterro em Rolândia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de março de 2001
Betânia RodriguesDe Londrina 
A Organização Não-Governamental (ONG) Movimento Nossa Terra, de Rolândia, está preocupada com o atropelo na desativação do lixão da cidade e propõe um modelo de aterro sanitário ecológico batizado de Compostão. O presidente da ONG, Daniel Steidle, disse que a iniciativa da prefeitura é válida, mas critica a falta de um projeto.
A desativação do lixão começou na última sexta-feira com o esparramo dos dejetos e posterior compactação por uma motoniveladora. Segundo a secretária municipal do Meio Ambiente, Vera Crespim, o projeto será elaborado por Mauro Melo, um profissional de Arapongas com experiência na área. Ela disse que a desativação é urgente e que deve se concretizar em, no máximo, três meses. Além dos problemas ambientais e sociais que ele causa, existe também o econômico. A prefeitura está sujeita a uma multa de R$ 1 mil por dia se não colocar em funcionamento o aterro, explicou a secretária que não soube dizer com exatidão em que estágio está o processo. O promotor do Meio Ambiente, Hideraldo José Real, não foi encontrado para comentar o assunto.
O medo do Movimento Nossa Terra é que a compactação do lixo sem a canalização dos gases e chorume contamine o ribeirão Vermelho e no futuro resulte numa explosão.
No projeto defendido pela ONG, além da canalização dos resíduos do lixo, são contempladas a coleta seletiva de materiais não-orgânicos também nos distritos de Baitira e São Martinho, a reciclagem no Compostão, a manutenção da autonomia dos garimpeiros do lixo e atendimento aos carrinheiros (conhecidos também como catadores de papel).
Outras questões abordadas no projeto são a implantação de um viveiro e de um minhocário no Compostão, que estaria aberto aos alunos de educação ambiental. É um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina que funciona há seis anos em Florianópolis. É viável, basta empenho e vontade política, disse Steidle.
A secretária disse que apóia a idéia da ONG, mas não arrisca dizer que o aterro da cidade será 100% ideal. Ainda não posso adiantar muitos aspectos do projeto, mas vamos fazer o possível para que um lixão como este não exista mais, comentou Vera. Hoje, ela se reúne com proprietários de curtume para discutir o que fazer com os restos de couro.


