ONG promove inclusão social de crianças e adolescentes
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segunda-feira, 09 de julho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Rolândia - Que os jovens de até 25 anos têm sido responsáveis pela grande maioria dos crimes cometidos na região de Londrina todo mundo já sabe. As estatísticas mostram também que eles não chegam a completar o primeiro grau. E a solução para o problema passa necessariamente por proporcionar educação e oportunidade para esses jovens, em um trabalho preventivo.
Nesse sentido, a ONG Sociedade Ambiental Cultural e Educacional (Soame) vem cumprindo um importante papel preventivo em Rolândia (Norte). Através de cinco unidades distintas, a entidade vem conseguindo promover a inclusão social de crianças de 2 a 14 anos, bem como de seus pais. E o melhor: não se trata de um trabalho meramente assistencialista, mas de formação.
''Nosso lema é não dar o peixe, mas ensinar a pescar. Se fôssemos simplesmente dar as coisas, teríamos que dar sempre, e um dia ia faltar. Nós queremos preparar as pessoas para que tenham condições de buscarem sozinhas o seu próprio futuro'', explica Maria Luiza Muller, vice-presidente da ONG e vereadora em Rolândia. A ONG foi criada em 2001, por Maria Luiza, Regina Kempf, Arno Gresen, Gisela Pagano e Bernd Neukirdmer, cinco amigos que pretendiam retirar crianças e adolescentes dos depósitos de lixo a céu aberto na cidade.
Eles começaram o programa ''Não damos o peixe'', sediado na Casa da Cidadania Hildegard Dannemann. O nome foi dado em homenagem à família pioneira que emprestou a sua chácara para o programa. Os 83 alunos ficam no local, também chamado de Soame I, durante o contraturno escolar. A primeira atividade a realizar é sempre a tarefa da escola. Eles têm ainda aulas de dança de rua, capoeira, música, natação, costura e religião, além de participarem de brincadeiras diversas, como jogar bola e soltar pipa. Também tomam banho, ganham um lanche e almoçam - um cardápio preparado com a ajuda das verduras produzidas pelos próprios estudantes, em uma horta. Quem não passa de ano não pode continuar na entidade.
Para ingressar na Soame I, é dada prioridade para crianças órfãs, com idade entre 9 e 14 anos, cuja renda familiar seja de até dois salários mínimos. Segundo a diretora, boa parte dos alunos vêm de famílias desestruturadas. ''Os pais de alguns estão presos. Tem criança que era aviãozinho de droga, que sofreu abusos diversos dos pais, que viu o pai ser assassinado, que era explorada por outras pessoas'', relata.
Em todas essas crianças, a mudança de comportamento é visível. ''Elas adoram aqui. Nós tratamos essas crianças e jovens com respeito, carinho e dignidade, coisa que muitas vezes eles não têm em casa. Isso se reflete na auto-estima e valorização pessoal deles'', afirma a psicóloga Rossana França Roveri.
Os estudantes também ajudam na limpeza e têm que resolver sozinhos quando danificam o patrimônio, para aprender a valorizar o que têm. ''Também valorizamos muito o diálogo. Com tudo isso, eles se sentem valorizados, e capazes de resolver as coisas'', justifica a psicóloga.
Como resultado, crianças que chegam agressivas mudam seu comportamento, através do aprendizado de gestos simples, como dizer ''com licença'', ''obrigado'' e até a dar um beijo no rosto ou ganhar um abraço. Como exemplo, a psicóloga lembra que um dos adolescentes já chegou a agredi-la, após morder um colega. Esse jovem, segundo ela, hoje trabalha e volta e meia entra em contato para saber como vão os voluntários da entidade. ''A confiança é tanta que já tivemos alunos que chegaram aqui armados porque precisaram atravessar um bairro onde eram ameaçados, e deram a arma pra gente guardar até a hora de ir embora'', conta. Rossana destaca ainda que tem alunos campeões no futebol e no atletismo juvenil.
''Eu era um tranqueira. Hoje durmo aqui e cuido da Soame à noite. Também dou aulas de percussão e fiz bastante amizade. Se não fosse isso, hoje eu estaria perambulando pelas ruas'', reconhece Luiz Fernando Flausino Torres, o ''Lobo'', que também é o chefe de bateria da escola de samba Unidos da Soame.


