A falta de oportunidade de emprego faz com que jovens recuperados do vício voltem a consumir drogas. A constatação do representante comercial Wagner Luiz da Silva, 41 anos, foi também a motivação para agir. Voluntário de uma organização não-governamental (ONG) dedicada a recuperar usuários de substâncias entorpecentes, ele decidiu criar outra entidade para oferecer treinamento profissional para adolescentes carentes, mesmo sem envolvimento nenhum com drogas.
Em parceria com o mecânico Elias Moreira Pires, fundou a ONG Dignidade - Escola Oficina, que possibilita aprendizagem profissional nas áreas de mecânica e elétrica. Morador do Conjunto São Lourenço (Zona Sul), Luís Felipe Laurentino, 14, é um dos quatro jovens atendidos pelo projeto. O jovem concilia os estudos com a aprendizagem na oficina de Pires. ''Acho que é uma profissão boa. Já sei consertar motor de arranque'', destacou.
A entidade está buscando parcerias com outras empresas para expandir o atendimento. Hoje, 12 jovens estão na fila de espera. ''Tive que dispensar pelo menos uns 40 telefones de meninos que querem aprender uma profissão'', lamentou Silva. O objetivo do presidente da entidade é expandir o ensino para áreas como tapeçaria, costura, instalação de som e alarme. Outra meta é a remanufaturação de peças automotivas para revenda. ''Queremos tornar a ONG auto-sustentável'', acrescentou Silva. Ele ressalta que donos de oficinas mecânicas podem doar sucata.
''Não adianta recuperar o viciado se ele não tiver oportunidade de conseguir um emprego'', afirmou. O presidente criticou a legislação nacional, que impede o atendimento de menores de 14 anos. ''É impressionante como meninos de 10 anos com quem já falei têm consciência da necessidade de profissionalização'', acrescentou.

Serviço
Os empresários interessados em contribuir ou fazer parceria com a ONG Dignidade Escola Oficina podem ligar para 3326-0001, com Wagner Silva ou Elias Pires.

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