ONG pode reativar Central de Moagem
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quarta-feira, 10 de julho de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Os proprietários das oito empresas de caçambas que atuam em Londrina estão se articulando para formar uma organização não-governamental (ONG) que se responsabilizaria pelo recolhimento e destinação das quatro mil toneladas de entulho produzidas no município. A informação foi passada ontem pelo representante das empresas, José Antônio Pinha, que visitou a Central de Moagem de entulhos, na zona sul. Ele esteve acompanhado do secretário municipal do Meio Ambiente, João Mendonça. A proposta da prefeitura é repassar, através de convênio, o serviço e gerenciamento não só da atual central desativada em 1997 , como de outras três a serem criadas para os ''caçambeiros''.
Pinha ressaltou que a criação de uma ONG só será possível se houver o engajamento de todas as empresas, bem como a fiscalização da prefeitura em coibir a utilização de outros espaços, como terrenos baldios, pedreiras e fundos de vale para abrigar o entulho. ''Não adianta nos juntarmos para resolver o problema, se um ou outro passar a usar espaços irregulares'', avalia Pinha.
A atual Central de Moagem por si só, alerta Pinha, não comporta a atual produção diária de entulho. A capacidade da central é processar no máximo 200 toneladas de entulho, se operar 12 horas por dia. Os caçambeiros ainda estão indecisos quanto a utilização das centrais para a produção de blocos construtivos à base das sobras moídas. ''Temos que avaliar se será viável. Mas é mais inviável ainda manter a situação da maneira como está, com os entulhos sendo depositados indiscriminadamente nos fundos de vale.''
Com os entulhos processados na central, foram erguidas 323 casas populares em dois anos. Segundo Mendonça, foram beneficiadas famílias de baixa renda da Vila Marisia e do Cambezinho.
A expectativa de Mendonça é reativar a Central de Moagem da zona sul até o final do ano, muito embora os caçambeiros mostrem-se mais cautelosos e evitam falar em prazos. ''Temos que avaliar o custo-benefício. Se a central parou é porque não estava dando lucro e na iniciativa privada não temos de onde tirar para bancar o funcionamento de algo que não funciona'', analisa Pinha.
Embora o município não disponha de recursos e pessoal dez funcionários para tocar a central, o secretário do Meio Ambiente adianta que o próprio Poder Público poderá ser parceiro dos caçambeiros ao contratar os serviços das centrais para o fonecimento de material.
A Central de Moagem será submetida nos próximos dias a uma perícia da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) e do Ministério Público. O objetivo é averiguar as condições de operação e conservação do local.


