Uma das Organizações Não-Governamentais (Ongs) mais antigas do Estado e referência obrigatória na região quando o assunto é HIV, a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) sofre hoje com um problema crônico no país da fome e do desemprego: a falta de voluntários para trabalhos assistenciais.
Roni Lima, presidente da entidade, diz que a ausência de profissionais qualificados - como psicólogos, assistentes sociais e publicitários, entre outros - atrapalha e chega a colocar em risco a execução de muitos projetos hoje em andamento. ‘‘Tem Ongs, na Europa, que contam com até duas mil pessoas. Mas no Brasil é difícil você reunir tanta gente. Até porque muitos desses profissionais tentam manter dois ou até mais empregos para garantir um bom salário. Por isso, falta tempo para o trabalho voluntário’’, diz.
Hoje, a Alia mantém apenas três pessoas ligadas à diretoria e outros nove voluntários que trabalham de forma sistemática. Dispõe de um cadastro com 29 voluntários que atuam eventualmente em promoções ou campanhas da entidade. E é só.
A entidade chegou a contar com a presença de estudantes universitários, como parte de programas de estágio curricular. Mas percebeu que o sistema não funcionava. A maioria dos alunos começava o trabalho e implantava etapas do projeto desenvolvido. Depois que acabava o ano letivo, abandonava o trabalho no meio do caminho, frustrando a expectativa das pessoas assistidas.
Alguns outros profissionais que passaram pela entidade, recorda Lima, receberam capacitação e, em seguida, acabaram absorvidos pelo serviço público de saúde. ‘‘Nós sabemos também que tem muitos profissionais, por exemplo, que são infectados e poderiam estar trabalhando com a Alia. Mas não estão talvez por medo de se expor. Então a gente vai levando como pode’’.
A Alia foi criada em 1989, através do trabalho desenvolvido por professores e estudantes universitários. O objetivo é fomentar a participação da sociedade na discussão e solução do problema. Para isso, promove não só trabalhos de prevenção como também auxilia no atendimento às pessoas com HIV ou Aids. Também participa de atividades culturais e de encontros, conferências e seminários.
Nestes quase 10 anos de funcionamento, a Alia tirou pelo menos uma conclusão importante: as campanhas de prevenção à Aids surtem pouco efeito, principalmente nos grupos mais vulneráveis ao contágio. Esse fato, aliado ao pequeno número de voluntários, fez a entidade investir na formação de agentes multiplicadores. São integrantes de determinados grupos sociais (profissionais do sexo, por exemplo) que, conscientes do perigo que representa a epidemia, procuram orientar os colegas sobre como evitar a contaminação.
Atualmente, são quatro os projetos de prevenção, cada um elegendo um público alvo específico: adolescentes, mulheres profissionais do sexo, população indígena e mulheres vítimas de violência.
O projeto ‘‘Multiplicadores de Informação com Populações Indígenas do Norte do Paranᒒ, idealizado pela Alia e aplicado com participação da prefeitura e Funai, levou a entidade a ganhar pela primeira vez, no final do ano passado, o Prêmio Dignidade Solidária, entregue a pessoas e organizações que se destacaram no Estado por ações no combate à epidemia.
Roni Lima comenta que em Londrina a transmissão entre os usuários de drogas ainda é o principal problema, atingindo - segundo dados da Secretaria Municipal de Saude - 36% dos casos notificados. Existe, no entanto, dificuldade para elaboração de projetos para esse público, inclusive por falta de respaldo social.
A distribuição de seringas, por exemplo, embora fundamental para programa de prevenção entre usuários, enfrenta resistência nas instituições públicas por questões legais. Outra dificuldade: identificar o público usuário de droga. O presidente da Alia observa que muitos, quando descobrem que estão com HIV, dizem que a transmissão foi por contato sexual e não por compartilhamento de seringa.
A Alia também procura promover, desde o ano passado, com apoio de entidades públicas e privadas, a distribuição de cestas básicas, leite em pó, além de assistência jurídica e apoio psicológico aos doentes com Aids. Para isso mantém convênios com o serviço municipal de Saúde, Hospital Universitário (HU) e Hospital das Clínicas - ambos da UEL. Por meio destes convênios é feita também a entrega de pelo menos 70 cestas básicas por mês - que atingem até 40 crianças de até dois anos, contaminadas ou com suspeita de possuir o vírus HIV.
Outro projeto, ainda em fase de elaboração e considerado fundamental para a continuidade dos trabalhos, é a construção da Casa de Apoio aos Portadores de HIV e Doentes de Aids de Londrina e Região Norte do Paraná, que deverá ser feita em parceria com a Comissão Municipal de DST e Aids do Município de Londrina, mais o Programa Municipal de DST e Aids da Secretaria Municipal da Saúde.
Para isso, um terreno de 1.000 metros quadrados, no Jardim Guararapes (zona sul) já foi cedido em comodado pela prefeitura para acomodar a Casa. Os projetos também já estão sendo produzidos, com previsão de espaços como creche, escola oficina e refeitório. Mas, por enquanto, não há prazo para construção.

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