ONG londrinense terá verba do Japão
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Erika Pelegrino Reportagem Local 
A organização não-governamental (ONG) de separação de material reciclável, Grupo Esperança, da Vila Marísia (próxima à Vila Casoni, na zona central) teve aprovado projeto para captação de recursos inscrito no consulado japonês. O projeto foi inscrito, através da Secretaria Municipal de Ação Social, em julho do ano passado e depois de uma série de entrevistas, pedidos de documentação e visita de integrantes do consulado japonês ao local de funcionamento da ONG, em 6 de janeiro a resposta esperada finalmente chegou.
A ONG terá construído um barracão de metal com 600 metros quadrados e receberá uma prensa e três moedores de materiais (vidro, PET e plástico). A integrante da ONG, Verônica Cardoso Lourenço, 27 anos, prefere não divulgar o valor em dólares que a ONG irá ganhar.
O convênio entre consulado japonês e o prefeito Nedson Micheleti (PT) será assinado em 19 de fevereiro e um depois o bacarrão já deverá estar construído, segundo Verônica. Hoje, 16 mulheres e três homens trabalham separação de material reciclável na Vila Marísia.
O grupo foi criado em junho do ano passado, dentro do programa desenvolvido pela Companhia Municipal de Urbanização e Transporte (CMTU), para tirar os catadores de papel das ruas e incentivá-los a se organizarem em Ongs. Verônica conta após um período de experiência na Fazenda Refúgio, o grupo começou a se organizar na Vila Marísia.
As dificuldades com espaço para trabalhar e para conseguir lixo suficiente para reciclagem não foram poucas. O grupo decidiu desenvolver uma campanha de esclarecimento da comunidade sobre o tipo de lixo próprio para reciclagem. A idéia era orientar as pessoas para que na hora de jogar o lixo fora não o inutilizassem para a reciclagem.
A campanha começou a dar resultados e hoje o Grupo Esperança coleta o material em quatro bairros próximos à Vila Marísia, separam e vendem a cada 15 dias sete toneladas para reciclagem. Cada integrante tira em média entre R$ 70,00 e R$ 80,00, quinzenalmente.
Com a aprovação do projeto no consulado japonês, Verônica afirma que a expectativa é de dobrar a produção de material para venda e, consequentemente, a renda dos integrantes. Hoje trabalhamos embaixo de lona, quando chove não podemos separar o material. Com o barracão este problema estará resolvido, explica.
Com os maquinários será possível agregar valor aos materiais. Hoje nosso material é desvalorizado porque muitas vezes está molhado, e porque vendemos sem prensar, explica. O material prensado, moído, vale até 100% mais.
Para Mariliz Garani, do Projeto Ação Comunitária, da Secretaria Municipal de Ação Social, a assinatura do convênio representa um grande ganho para Londrina. O grande ganho é a organização destas trabalhadoras para a geração de renda, com autonomia, de uma forma em que todas as decisões são tomadas democraticamente no grupo, não existe hierarquia.


