Levar informação e qualidade de vida para uma pequena comunidade do Nordeste. A proposta é de um grupo de estudantes e professores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) que este ano fundou a ONG (Organização Não Governamental) Amigos do Poço Branco. A cidade, com 12 mil habitantes, fica a 60 quilômetros de Natal (RN), e tem muitas carências. Os estudantes da UEL conheceram a triste realidade local no início do ano, através do Projeto Universidade Solidária, e agora querem voltar lá para ajudar os moradores de Poço Branco a conseguirem uma vida melhor.
Os alunos da UEL criaram um projeto de educação popular voltado para aquela comunidade. Só que agora, eles estão atrás de patrocínio para viabilizar a viagem, de 3.600 quilômetros, e a estada em Poço Branco, por seis meses, de uma professora e um engenheiro agrônomo. Para viabilizar o projeto no primeiro semestre de 97 o grupo precisa de R$ 16.500,00, que pode ser dividido em seis parcelas.
O secretário geral da ONG, Jair Ferreira de Souza, estudante do 3º ano de história, justifica a ajuda a uma comunidade localizada a uma distância tão grande mostrando os números que comprovam a carência da população. Segundo ele, das 1.600 famílias que vivem em Poço Branco, 1.230 são indigentes. Mais da metade dos adultos são analfabetos. Jair de Souza lembra que Poço Branco foi o epicentro de um terremoto que aconteceu no Nordeste, há 10 anos. O estudante conta que é comum acontecer tremores de terra na região.
A ONG foi criada em março deste ano, assim que os estudantes que participaram do projeto Universidade Solidária voltaram para Londrina. A intenção do grupo é desenvolver trabalhos nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento rural e comunitário, aproveitamento de lixo e preservação do meio ambiente.
Jair de Souza comenta que os estudantes já estiveram duas vezes em Poço Branco. A primeira vez, durante o Universidade Solidária, eles criaram o Conselho de Desenvolvimento Social, com a participação de várias entidades, entre elas Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Em julho, os alunos da UEL retornaram para discutir, junto com o Conselho, os problemas mais urgentes - analfabetismo, migração, baixos salários, falta de água potável, trabalho infantil, qualificação de professores e administradores - e as soluções viáveis.
No último semestre, Jair de Souza explica que foram tomadas várias medidas para colocar em prática o projeto a partir do ano que vem. Entre elas, convênios com a UEL e outras instituições, além de contatos com vários órgãos do governo federal.
Em janeiro, 28 estudantes e professores da UEL seguem para Poço Branco, para trabalhar durante as férias - incluindo a professora e o agrônomo que ficarão este semestre . A prefeitura cedeu uma casa para receber os estudantes enquanto eles permanecerem no Nordeste.
Parte do projeto está sendo custeado por um Fundo de Viagem - criado pelos alunos - e pelo Ministério da Agricultura, que repassou verba de R$ 21 mil para pagar passagens e monitores. A FAB (Força Aérea Brasileira) também vai levar parte dos estudantes (22) que trabalharão em janeiro em Poço Branco.
Os outros seis acadêmicos seguem com uma Kombi da UEL até o Rio Grande do Norte. Durante a viagem, eles vão aproveitar para fazer uma pesquisa nos postos de gasolina da BR-116 (na ida) e na BR-101 (volta). Os estudantes querem saber o índice de analfabestismo das pessoas que trabalham nestes locais.

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