Cansado de ver crianças acidentadas no hospital, o cirurgião pediátrico Martin Eichelberger, brasileiro radicado nos Estados Unidos, entendeu que o ideal seria evitar que elas chegassem até ele. Foi pensando nisso que fundou, em 1987, a Safe Kids, organização não-governamental (ONG) que se dedica à prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. Presente em 16 países espalhados pelos cinco continentes, a ONG também tem atuação no Brasil e está representada em Curitiba, São Paulo, Recife e Londrina, onde ontem aconteceu o lançamento do programa Criança Segura no Carro.
''Uma cadeirinha de segurança bem instalada reduz em 71% o risco de morte da criança'', explica Julianne Yoshii, coordenadora da ONG na cidade. Na oficina da concessionária Metronorte, parceira do evento ao lado da Folha de Londrina, os carros passaram a manhã de sábado sendo revisados. Mas nada de checar motores ou pneus. Os profissionais indicavam para os pais-motoristas se as cadeirinhas estavam ou não devidamente instaladas e se estavam de acordo com as regulamentações do Inmetro.
''Muitos pais ainda acham que a criança estar no banco traseiro é suficiente. Fizemos uma pesquisa num estacionamento de shopping e verificamos que das 180 crianças nos carros, apenas 5% estavam em cadeirinhas'', lembra Julianne. ''Desde que sai da maternidade, o bebê já vai para o banco de trás no bebê-conforto. Com um ano, passa para a cadeirinha. Aos quatro pode usar o cinto de segurança, utilizando um assento especial'', completa.
''Em Londrina, em média, morre uma criança por mês em acidentes de trânsito'', avisa o cirurgião pediátrico Mauro Basso, responsável pela vinda da ONG Criança Segura para a cidade. ''Não parece muito numa estatística, mas para a família que perdeu isso significa 100%'', completa Basso, que acredita que a conscientização dos pais-motoristas é que vai mudar estes números.

mockup