Curitiba - Os ativistas antitabaco têm um novo alvo no Brasil: o mundo corporativo. E a arma é uma cartilha que ensina todos os passos para banir, de vez, o cigarro das empresas. Com o nome de ''Ambientes de Trabalho Livres de Fumo - Manual para Tornar sua Empresa Mais Produtiva'', o material é uma iniciativa da ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), em parceria com a multinacional Johnson & Johnson. Ele está disponível para download gratuito no site www.actbr.org.br
O documento é uma tradução do guia elaborado pela Global Smokefree Partnership (Parceria Global para Ambientes Livres do Fumo), ONG que reúne cerca de 500 entidades e parceiros em mais de 60 países. Logo na introdução, um número alarmante para justificar a proposta: cerca de 200 mil pessoas morrem todos os anos por causa da exposição à fumaça tabagística (o dado é da Organização Internacional do Trabalho). ''Esse número inclui os que respiram a fumaça passivamente, o que reforça a importância de se proteger o não-fumante'', diz Mônica Andreis, psicóloga e vice-diretora da ACT.
''Ainda não sabemos quantos downloads foram feitos até agora, mas o manual teve uma boa repercussão na mídia'', afirma Mônica. O material prevê ambientes completamente livres da fumaça. Mas, segundo Mônica, deslocar os fumantes para áreas externas, ao ar livre, já representa um avanço. ''Está provado que as pessoas consomem menos cigarros por dia se precisam sair para fumar.''
É o que ocorreu na sede curitibana da empresa EBS, especializada em softwares. Até o ano passado, os fumantes se reuniam na porta da sala de lazer, um espaço com pufes e mesas de sinuca e pingue-pongue. ''Não dava certo, porque a fumaça e o cheiro não iam embora'', conta Ângela Scroccaro, gerente de Recursos Humanos. Após uma série de reuniões e orientações, a turma do cigarro foi transferida para fora do prédio. Hoje, apenas 15 dos 97 funcionários fumam - antes eram 25.
Segundo o médico Jayme Zlotnik, presidente da Associação Paranaense Contra o Fumo, os benefícios para os empregadores que implantam programas antitabaco vão do aumento da produtividade à diminuição do risco de incêndios.

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