Éverson Batista dos Santos, 21 anos, descobriu a leucemia há quatro anos. Dores no corpo e o cansaço excessivo deram o alerta ao jovem que, até então, tinha uma vida saudável. O diagnóstico confirmou o câncer no sangue e a luta para combater a doença virou uma rotina. Todos os dias, ele vai ao Instituto do Câncer de Londrina (ICL) para fazer quimioterapia, tratamento que apenas estabiliza a doença. Para Éverson a solução é o transplante de medula óssea, que poderia ser feito com a doação da medula. O problema é que na família Éverson não encontrou doadores. Dos quatro irmãos, nenhum é compatível.
  A luta se tornou mais árdua. Éverson foi para a fila e há quatro anos aguarda um doador. ‘‘É muito importante que as pessoas façam a doação, não só para mim, mas para milhares de outros portadores da doença. Quero sair logo dessa fila brava’’, apela o jovem, que não faz planos para o futuro. ‘‘Por enquanto penso só no hoje.’’
  O drama de Éverson é o mesmo de outros 800 pacientes no Brasil que aguardam por um transplante de medula. Em todo o País, são 200 mil pessoas cadastradas para doar, um número considerado pequeno, já que a chance de encontrar um doador compatível é de uma em um milhão.
  Por esse motivo, a Organização Não Governamental (ONG) Viver de Londrina, que cuida de 130 crianças, jovens e adolescentes portadores de vários tipos de câncer desde 2001, lançou ontem uma campanha para doação de medula óssea. Os voluntários aproveitaram a proximidade da Páscoa para fazer um apelo à solidariedade. Em parceria com o Hemocentro do Hospital Universitário (HU), a ONG cadastrou, durante todo o dia, doadores que podem salvar vidas. Eles se juntam a outros 10 mil doadores cadastrados no Hemocentro.
  O lançamento da campanha reuniu crianças e jovens que lutam contra o câncer e que, a exemplo de Éverson, precisam de ajuda. ‘‘Queremos conscientizar as pessoas da necessidade de ajudar. A doação é simples e ajuda a salvar muitas vidas’’, declarou uma das diretoras fundadoras da ONG, Dorian Guerra.
  A psicóloga Sílvia Sarzedas El Janene fez questão de se cadastrar e fez um apelo para que outras pessoas colaborem com a campanha. ‘‘Uma causa em que a sobrevivência da pessoa depende de outra pessoa comove muito. Você não sabe se um dia vai precisar de ajuda. Podemos depender da boa vontade do outro para sobreviver. Fiz a doação e acredito que vou salvar muitas vidas.’’

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