ONG incentiva a formação de arboretos
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Lúcio Flávio Moura Enviado a Rolândia 
Participantes do Seminário Semana da Árvore, cuja primeira edição foi realizada ontem na Fazenda Bimini, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), decidiram criar uma associação norte-paranaense de estudos e incentivo à formação de arboretos espécie de bosques com grande biodiversidade voltados à pesquisa e educação ambiental.
Especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Unidade Florestas, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), da Emater, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e proprietários rurais da região passaram o dia na fazenda assistindo palestras e visitando as instalações da fazenda, famosa por produzir palmito ecológico e por ser sede do Movimento Nossa Terra, ong que reúne agricultores ambientalistas. O evento foi encerrado com a elaboração da Carta de Bimini, embrião das diretrizes que nortearão as atividades da nova associação, cuja criação deve ser formalizada em 60 dias.
Por enquanto, 50 pessoas já se interessaram em contribuir de alguma maneira com a futura entidade. Deste grupo, quem conhecia já sabia das vantagens, quem não conhecia não demorou para se encantar com esta iniciativa fantática que é criar um arboreto, avaliou Paulo Ernani Ramalho Carvalho, doutor em ciências florestais, engenheiro e especialista em arboretos da Embrapa Florestal, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba).
Os principais pontos do documento sugerem a destinação de parte do repasse do ICMS ecológico para o financiamento dos arboretos e a dedução no pagamento do Imposto Territorial Rural do valor investido neste tipo de iniciativa.
Não foi um Dia da Árvore qualquer. Transformamos Rolândia num centro irradiador na divulgação da importância que um arboreto pode ter em uma propriedade, disse Daniel Steidle, dono da fazenda e principal promotor do evento.
Há cinco anos, com apoio técnico da Embrapa, Steidle começou a implantar o arboreto florestal na Bimini. Hoje são 546 árvores, de 49 espécies nativas e exóticas, ocupando uma área de 3,5 mil metros quadrados. O conjunto é reverenciado por estudiosos de todo o País e passou a ser uma nova atração nas frequentes visitas que estudantes das escolas da rede municipal fazem à Bimini, uma fazenda cujas matas de muitas tonalidades, o casario germânico, vastos gramados bem-cuidados e lavouras de trigo, compõem uma paisagem européia com grande potencial turístico.
Ontem foi inaugurado o arboreto botânico da fazenda. Mais diversificado e com espaçamento maior entre os exemplares do que o primeiro. São 14 mil metros quadrados, ocupados por 546 árvores de 250 espécies.
Segundo o engenheiro florestal da Embrapa, dos 200 arboretos que o órgão monitora, o da Bimini é o primeiro mantido pelo esforço de uma família. Empresas e instituições públicas e privadas são os responsáveis pelos demais. Este número está crescendo muito e a soma destes conjuntos será muito importante para o impulso ao plantio de florestas comerciais, aposta Ramalho Carvalho.
Além das motivações ecológicas, os arboretos serão cada vez mais utilizados para a experimentação que define a melhor combinação de espécie, clima, solo e topografia para a viabilidade comercial de uma floresta. Há previsões de escassez absoluta de madeira tropical em 2005 e de aumento substancial no preço do produto nos próximos anos.
Pelos menos três novos arboretos devem surgir a partir das discussões do encontro. Um deles em Ibiporã, no sítio recém-comprado pelo advogado Carlos Chernev, de 10 alqueires. Ele pretende usar a formação e os cuidados com um arboreto com uma eficiente terapia na recuperação de jovens viciados em drogas.


