ONG faz pesquisa com prostitutas de Curitiba
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba - Quarenta por cento das prostitutas de Curitiba estão satisfeitas com a profissão, mas a maioria delas (60%) quer mudar de vida. Número ainda maior (88%) não aceitaria que suas filhas se prostituíssem e quase metade (48%) esconde da família o tipo de vida que leva. Esses dados foram apontados em pesquisa realizada com 300 mulheres, nos meses de dezembro de 2001 e janeiro deste ano, pelo Grupo Dignidade organização não-governamental (ONG) que defende os direitos dos homossexuais.
O levantamento irá subsidiar o projeto Casas Vida, que a entidade pretende desenvolver em 15 casas noturnas de Curitiba. A idéia, explicou o presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, é repassar informações sobre prevenção da Aids, de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e de outros males que atingem as mulheres como o câncer de mama e de colo do útero.
Segundo Reis, 30 pessoas estarão envolvidas neste trabalho, entre técnicos da área da saúde, psicóloga, assistentes sociais e as próprias prostitutas. Toda a equipe está participando de um curso de capacitação, que começou ontem e se estende até amanhã.
Aprovado pelo Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas, o projeto é financiado pela Coordenação Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e conta com a apoio das secretarias estadual e municipal de Saúde.
A parceria com as unidades públicas de saúde, informou Reis, será um dos focos do projeto. As pessoas envolvidas no programa servirão de ponte para que as prostitutas procurem cuidar mais de sua saúde. Segundo ele, há uma resistência muito grande por parte dessas mulheres de irem até uma unidade de saúde para fazer, por exemplo, um exame preventivo de câncer do colo do útero.
O trabalho será mais intenso nos bares e boates, onde a maioria das prostitutas (67%) trabalha. No entanto, Reis informou que a equipe fará abordagens, também, nas praças e ruas usadas como ponto de prostituição.
Para ele, um dado preocupante apontado na pesquisa foi o número de mulheres que adotam a prevenção com parceiros de programa (93%), mas não têm o mesmo cuidado com seus parceiros fixos. Do total de mulheres entrevistadas, 46% afirmaram ter parceiro fixo, mas metade delas (22%) não usa preservativo com eles.


