Que o cão é o melhor amigo do homem, ninguém duvida. Provas disso não faltam ou você já esqueceu as muitas vezes em que enxotou o seu animal de estimação e em seguida, ele te recebeu abanando o rabo? Porém, a recíproca não é a mesma, havendo casos em que, depois de anos de fidelidade, o cachorro é abandonado pelo dono para morrer à mingua.
Isso é café pequeno quando se trata de maus-tratos a animais domésticos. Quer ver só?
Um londrinense com problemas mentais cortou a língua do seu cão num surto de loucura ao imaginar que o bicho teria
falado para ele não ir à missa. Como se não bastasse, esfaqueou o cachorro.
Casos grotescos que parecem piada de humor negro, mas que surgem diariamente entre as cerca de 50 ligações aos voluntários do SOS Vida Animal, uma organização não-governamental (ONG), que há mais de 15 anos cuida de animais abandonados em Londrina.
No próximo sábado, das 9 às 13 horas, em frente às Lojas Americanas, no Calçadão (Centro), o SOS Vida Animal estará realizando a Feira de Doação de Animais.
Serão doados 15 animais, entre cães e gatos, com aproximadamente três meses a um ano de idade. Bichos que estão desverminados, vacinados e castrados, no caso de fêmeas.
Se o pretendente for cedo à feira, poderá encontrar até poodle. Mas também vai ter vira-lata, com aquela carinha de ''pidão'', esperando por um novo dono.
Para manter saudável a bicharada, a ONG depende de colaboradores que doam ração e cestas básicas. Também conta com a ajuda de dois veterinários. Porém, todo medicamento para tratar os animais é comprado pela organização. Para levantar recursos, o SOS realiza promoções, como a venda de pizzas e tapetes.
O SOS precisa de um terreno para construir um canil e um gatil, o que permitira tirar os animais das casas dos voluntários.
A vice-presidente da ONG, Sylvia Maria Arruda, 40 anos, lembra que para a rua não vai só vira-lata. É comum o SOS recolher cães da raça pastor-alemão e rottweiler, animais de grande porte cujos donos não tiveram condições de manter. Também são alvos do desprezo dos donos os bichos doentes e velhos.
No trabalho dos voluntários, há histórias de animais que são espancados na rua, alguns dos quais não conseguem sobreviver. Cães e gatos como Rayala, uma poodle de seis a sete anos de idade, que divide a atenção de Sylvia com o cão da mesma raça, Júnior. ''A Rayala foi encontrada por voluntários dentro de um saco com a boca amarrada, quase sem vida, numa casa abandonada'', lembra a vice-presidente.
Já o Júnior passou por aquela situação tipo '' esqueceram de mim'', depois que uma família se mudou. O animal, com apenas seis meses de idade, foi encontrado vagando pela rua.
Não adiante ligar para o SOS buscar o cão que você não quer mais. A OnNG não recolhe animais para cuidar. A organização sugere a castração dos bichos para evitar o aumento da população.
A Vigilância Sanitária também defende esse controle e espera a liberação de R$ 600 mil - parte do Ministério da Saúde, com contrapartida municipal - para a construção do Centro de Zoonoses, que terá um canil e um gatil para recolher cães e gatos.
Enquanto isso, alguns dos que estão abandonados vão parar na casa de voluntários, como dona Nazira Cardoso, 54 anos, que está abrigando 20 cachorros e seis gatos. A dona de casa parece aquelas mães com muitos filhos, que para chamar um deles, gritam pelo nome de todos os outros primeiro.

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