ONG fará campanha explicativa
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
Os catadores da ONG Central, que estão trabalhando na separação do lixo reciclável na Fazenda Refúgio, irão iniciar uma campanha junto à população incentivando a separação doméstica.
A idéia dos catadores da ONG é eles mesmos baterem de porta em porta distribuindo folhetos explicativos e sacos verdes para o acondicionamento do material para reciclagem. Queremos transformar a separação do lixo em casa em um hábito igual ao de escovar os dentes, diz a catadora Verônica Cardoso Costa, 27 anos, integrante da ONG.
Do material que chega à Fazenda Refúgio trazido pelos caminhões da coleta seletiva, apenas uma pequena parte é própria para reciclagem. Misturado ao material que deveria ser exclusivamente para reciclagem, os trabalhadores da ONG, em três dias de trabalho, já encontraram produtos hospitalares, papel higiênico, roupas, restos de comida, caco de vidro, lixo resultante de varrição da casa, e outros.
Segundo Verônica, isto denuncia dois problemas: a população não tem bem definido que tipo de lixo deve ser considerado reciclável e o hábito da separação em casa ainda está longe de ser incorporado na rotina da população.
Verônica, que há dois trabalha com um grupo de mulheres da Vila Marísia no reaproveitamento do lixo, afirma que as pessoas não têm idéia do valor do material do qual se desfazem e de como ele é valioso para a população que sobrevive do lixo.
Entre os materiais mais rentáveis, ela cita as garrafas plásticas de refrigerante (PET), R$ 0,24 o quilo; latinhas de alumínio, R$ 1,80 o quilo; frascos de detergente e álcool, R$ 0,22 o quilo entre outros. O vidro de palmito, por exemplo, que as pessoas jogam fora, a gente vende por R$ 0,09 cada um. O garrafão de vinho de cinco litro é vendido por R$ 0,30 cada, cita. Na maioria das vezes as pessoas jogam estes materiais junto com o lixo orgânico e colocam para a coleta seletiva papel higiênico, por exemplo.
Para conseguir transformar estes materiais em dinheiro, além de dar a destinação correta, as pessoas devem saber como prepará-lo, segundo Verônica. Os frascos devem ser lavados e colocados de cabeça para baixo antes de serem jogados fora. Desta forma evita-se que crie fungos e mau cheiro, o que dificulta a venda, alerta.
Verônica afirma que a campanha será inciada quando o trabalho da ONG Central estiver engrenado na Fazenda Refúgio. Segundo ela, o galpão já está praticamente todo adaptado com tambores, mesas de separação, luvas. Estamos apenas aguardando para hoje a chegada da prensa para prensarmos todo o material separado e começarmos os contatos para venda, afirma.
A expectativa, segundo Verônica, é de que as primeiras vendas sejam efetuadas na segunda-feira. O primeiro pagamento dos catadores está programado para quarta-feira. Pretendemos conseguir cumprir este prazo já que muitos estão passando necessidade porque deixaram o trabalho nas ruas.
A catadora faz um apelo para que a comunidade faça doações de cestas básicas para os trabalhadores da ONG. A maioria veio das ruas e tirava seu dinheiro com as vendas diárias, esclarece.


