ONG é impedida de distribuir seringas
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Telma Elorza e Maranúbia Barbosa De Londrina 
A polícia de Londrina impediu que a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) fizesse a troca gratuita de seringas e agulhas descartáveis de usuários de drogas em toda a cidade. A intenção da Alia era orientar os usuários sobre os riscos de doenças transmissíveis a que eles estão expostos. Essa orientação faz parte do projeto de Redução de Danos, que começou a ser implantando pela Alia no começo deste ano. O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde, coordenação regional do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST-Aids) e Unesco.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, disse que indeferiu o pedido de autorização para a troca porque a lei proíbe. Qualquer auxílio ao uso de entorpecente é proibido. Se insistirem em fornecer este tipo de material, responderão por crime de tráfico de entorpecentes, afirmou. Para André, traficante não é só quem vende droga. Pela lei, quem induz, instiga, auxilia ou contribui de alguma maneira para que alguém use entorpecente é traficante. E a pena é de 3 a 15 anos de prisão, afirmou.
De acordo com o delegado, a iniciativa da entidade não se justifica mesmo com boa intenção. Primeiro porque Londrina não registra incidência de consumo de pico (drogas injetáveis). Na região, o que se consome é maconha, cocaína e crack, principalmente. Segundo, porque estas organizações têm que atacar o problema no sentido de curar o vício, não estimular o uso de drogas, criticou.
O coordenador do projeto, Márcio Antunes, informou que o objetivo da Alia não é fazer apologia ao uso de drogas, e sim reduzir danos e riscos, com enfoque na saúde pública. Segundo ele, a idéia é divulgar o projeto e articular parcerias com autoridades, gestores municipais, Ministério Público e organizações não-governamentais (ONGs). Queremos desencadear discussões com a comunidade que atua junto aos usuários, explicou o coordenador do projeto. De acordo com Márcio Antunes, o índice de indivíduos infectados pelo vírus da Aids por via endovenosa, em Londrina, é de 32%, enquanto no Brasil é de 20%.
Ainda conforme Antunes, levar informações aos usuários de drogas não é o único objetivo do projeto Redução de Danos. O usuário que mostrar interesse em abandonar o vício será encaminhado aos centros de apoio que existem na cidade. Mas a iniciativa deve ser espontânea e partir do próprio usuário, salientou. Antunes explicou ainda que a orientação ao dependente de drogas não se dá apenas em nível das drogas ilícitas. O álcool e o tabaco também causam danos individuais e na coletividade, afirmou. Além deste projeto, há 12 anos a Alia realiza distribuição gratuita de preservativos.


