A organização não-governamental (ONG) Gepexcel vai tentar buscar saídas para não fechar o Centro de Saúde Especial Barbara Daher, na Zona Oeste de Londrina, onde presta atendimento odontológico a portadores de necessidades especiais de 130 municípios da região. A direção da ONG disse ontem que, do total de cidades atendidas, apenas seis repassam recursos e, para evitar o pior, vai tentar negociar com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), à 17 Regional de Saúde e ao setor empresarial. Uma reunião com a secretaria de Saúde já foi agendada para segunda-feira.
A presidente do Gepexcel, Martha Beatriz, garantiu ontem que a entidade não pretende encerrar atividades porque ''os quase dois mil pacientes da região não teriam a quem recorrer''. Mas, segundo ela, a situação é preocupante.
Os gastos mensais da entidade chegam a R$ 5 mil. Para cobrir esse custo, a ONG recebe cerca de R$ 800 mensais do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, tem convênio com 10 dos 180 municípios atendidos mas apenas seis pagam em dia quantias que variam de meio a um salário mínimo mensal. Até dezembro do ano passado, quase metade dos custos R$ 2,1 mil eram mantidos pela secretaria municipal de Assistência Social de Londrina, mas o convênio não foi renovado.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, explicou que Londrina poderá continuar contribuindo de acordo com a média histórica de gastos. Para tanto, técnicos da Secretaria farão uma auditoria na entidade para apurar qual o valor da ajuda. Fernandes ressaltou que, além dos repasses do SUS, o município cede o prédio à entidade e também arca com as despesas de água e luz.
Fernandes assegurou que os pacientes de Londrina continuarão recebendo tratamento de qualidade na Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto Chefe Newton (Zona Norte). ''Os profissionais de lá têm o perfil para prestar esse atendimento'', declarou. A reportagem visitou o setor de odontologia da unidade e apurou que existem apenas duas equipes do Programa Saúde da Família que atendem, em média, 15 pacientes por dia.
A secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, explicou que o convênio com a entidade era autorizado pelo Conselho Municipal de Assistência Social mas que um mapeamento teria comprovado que o atendimento era da área de saúde e fugia à abrangência de sua pasta. Ela disse ainda que, no ano passado, orientou a ONG a buscar convênios com os demais municípios beneficiados.

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