Arquivo FolhaPolêmicaRafael Dely, presidente da Cohapar: pesquisa que aponta 239.458 favelados exclui apenas dez municípios da Região Metroplitana de Curitiba. De acordo com o estudo, vivem em favelas no Paraná 53.213 famílias, das quais 20.048 estão em CuritibaO Movimento de Luta Pela Moradia contestou os dados da pesquisa sobre favelas divulgada terça-feira pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Segundo Manoel Proença, da coordenação do movimento, só em Curitiba vivem em áreas irregulares 56.117 famílias. No Paraná, seriam 800 mil famílias sem moradia. Para a Cohapar, há 52.713 famílias vivendo em áreas irregulares em todo o Estado. O movimento admite que boa parte dessas famílias não vive em favelas, mas acha que a pesquisa da Cohapar mascara o problema no Paraná.
Além das famílias em áreas irregulares, o movimento diz que existem na capital mais 80 mil famílias sem-teto, ou seja, que não têm casa própria e vivem muitas vezes em condições precárias, dividindo pequenos espaços com parentes ou outras famílias. ‘‘Só na fila da Cohab existem 42 mil inscritos’’, diz Proença. Segundo ele, o déficit de moradias em Curitiba e Região Metropolitana, hoje, é de 130 mil unidades.
A pesquisa apontou a existência de 239.458 pessoas vivendo em 827 favelas no Paraná. O número inclui o interior, Curitiba e 12 municípios da Região Metropolitana (RM). Ficaram de fora apenas dez municípios da Região Metropolitana, que estão sendo pesquisados pela Comec.
A Cohapar classificou como favelas áreas não regularizadas, cuja posse não pertence de fato aos ocupantes. Por esse critério, vivem em favelas no Paraná 53.213 famílias, das quais 20.048 estão em Curitiba.
O Movimento de Luta pela Moradia está reivindicando participação no Conselho Estadual de Política de Desenvolvimento urbano. ‘‘Queremos acabar com as soluções por decreto para o problema da moradia’’, afirma Manoel Proença. A entidade também acompanha a luta de movimentos de todo o País pela destinação de 2% dos orçamentos federal, estaduais e municipais para a moradia. Tramita no Congresso Nacional projeto que prevê a destinação desses recursos para um fundo específico. ‘‘Hoje, sem o dinheiro garantido por lei, o investimento em moradia depende de decisões políticas que nem sempre saem’’, afirma Proença.

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