ONG denuncia obra do Igapó na polícia
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quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Érika Pelegrino<br> De Londrina 
O integrante da Organização Não-Governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista Moreira de Souza, esteve ontem à tarde na 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina para denunciar as obras que estão sendo realizadas no Lago Igapó 2, desde maio. Na opinião dele, o serviço foi mal planejado, provocando prejuízos ambientais e elevando os custos para sua realização. João Batista disse em seu depoimento que quer que a polícia investigue possível crime ambiental cometido pela prefeitura e má utilização do dinheiro público.
Segundo o integrante da ONG, a obra está provocando o assoreamento do lago 1 e do próprio lago 2. ''A lama contaminada que estava em uma parte do lago foi espalhada'', disse. A obra também estaria provocando danos à flora e fauna. ''O rompimento de uma pequena barragem próxima à transposição da Avenida Maringá prejudicou o local, que tinha vários pássaros, jacaré e outros animais'', afirmou em seu depoimento.
João Eduardo Carulla, delegado-adjunto da 10ª SDP, afirmou que vai receber hoje o depoimento de João Batista. ''Terei que analisar com muita calma a denúncia para depois ver se será aberto inquérito policial ou não'', afirmou.
O secretário de Obras e vice-prefeito, Luiz Carlos Bracarense, não quis se manifestar sobre as acusações de João Batista. Ele afirmou que é engenheiro e que não tem porque falar a respeito das suspeitas do integrante da ONG. Bracarense afirmou que já foram retirados 10 mil metros cúbicos de lama.
Ele afirmou que a intenção de deixar o lago com profundidade entre 1,5 metro e dois metros é porque, abaixo disso, o material existente é turfa (solo orgânico natural). Segundo Bracarense, João Batista quer que seja feita uma escavação para nivelar o lago 1 e o 2.
O secretário de Obras ressaltou que o lago foi esvaziado para consertar a barragem na ponte da Avenida Higienópolis, que se rompeu, e não para revitalizar o lago. O assoreamento do Igapó, segundo Bracarense, em grande parte é de responsabilidade da Sanepar.
Desde que as obras começaram, a Sanepar vem sendo cobrada para que ajude no desassoreamento. Até hoje não há uma definição da empresa. O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, disse que ainda está em negociação com a prefeitura. O secretário de Obras afirmou que a parceria está sendo buscada, mas nada foi definida.


