ONG denuncia agressão ambiental em fundo de vale
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Na data em que se comemorou o Dia do Rio, 24 de novembro, o fundo de vale do Ribeirão Capivara (Zona Sul de Londrina) ganhou novas mudas de árvores, através de um trabalho de reflorestamento com espécies nativas promovido pela Organização Não-governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado (MAE). Ontem, os ambientalistas denunciaram uma agressão na área de preservação permanente à Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e hoje o caso deve ser levado ao Ministério Público. Segundo a denúncia, operários de uma empresa terceirizada, que presta serviços de roçagem à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), arrancaram e ''machucaram'' 25% das mudas plantadas.
Os ambientalistas Carlos Eduardo Levy e Ricardo Maruch, da ONG MAE, registraram queixa policial contra o que consideram um crime ambiental. Mudas de pau-viola, aroeira, ipê e fumo-bravo foram algumas espécies que tiveram o desenvolvimento prejudicado em função da roçagem feita pelos operários da Visatec.
Maruch acredita que a agressão às mudas foi proposital. ''Essas plantas controlam naturalmente o crescimento de mato. Empresas como essa e que ganham por metro roçado querem que o mato cresça e, por isso, destroem as mudas.''
O encarregado do serviço, Adriano Robson dos Santos, que acompanhava o trabalho dos operários em outra parte do vale, ficou surpreso. Ele disse que os operários são orientados a tomar cuidado com as mudas de árvores. ''Inclusive, a gente orienta para que se não houver marcação com estacas nas mudas, que providenciem. É uma pena isso porque uma árvore leva 10 anos para crescer e uma pessoa em apenas 10 minutos destrói tudo'', ressaltou Santos, acrescentando que a empresa não recebe por empreita.
Até o final da manhã, a Polícia Florestal ainda não tinha verificado a situação, já que as duas viaturas da corporação estavam em diligências.
O engarregado geral do serviço de roçagem da Visatec, Paulo Donizete, lembrou que a empresa fez a roçagem do Vale Capivara para que fossem plantadas as árvores nativas. Ele lamentou o que considerou um acidente. ''Me passaram o acontecido, mas os trabalhadores são orientados a tomar cuidado com as árvores.''
Ontem, a Sema ainda não tinha feito uma vistoria. O biólogo Paulo Cezar Dolibaina disse que seria preciso verificar a situação para saber quais medidas seriam cabíveis. ''Dependendo das espécies, as árvores conseguem religar os vasos. Porém, não deixa de ser uma porta aberta para fungos, que podem levar a planta à morte.''
Três empresas terceirizadas fazem a roçagem do mato em Londrina. ''As duas que realizam o trabalho em terrenos baldios recebem por metro quadrado de capinagem. Já o pagamento da Visatec a única a prestar serviços em áreas públicas não obedece esse critério, sendo efetuado mensalmente'', esclareceu o coordenador de capina e roçagem da CMTU, Délcio Garcia Martin.


