O Grupo de Estudos Sobre Violência Doméstica Contra a Criança e o Adolescente, de Londrina, inicia hoje à noite o processo de criação de uma organização não-governamental (ONG) para defender crianças e adolescentes vítimas de violência. O início das discussões será com a palestra ‘‘Violência sexual contra criança e adolescente’’, a partir das 19h30, proferida pela professora da Universidade de Brasília, Maria Fátima Leal, na sede administrativa da Associação Médica de Londrina (Avenida Harry Prochet, 1.055, zona sul). A professora é coordenadora de um centro de referência que trata de menores no Distrito Federal.
As inscrições para a palestra podem ser feitas na Associação Médica de Londrina até às 19 horas. O preço é R$ 5 para estudantes e R$ 10 para profissionais. Associados da AML estão isentos.
A ONG receberá o nome de Associação Londrinense Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Alpia) e passará a ser conhecida como ‘‘Anjos da Guarda’’. O grupo começou a se reunir em agosto do ano passado e tem a participação de cerca de 20 pessoas, entre eles médicos, advogados e assistentes sociais. Um dos integrantes, o médico pediatra Jonílson Favoretto, diretor-clínico do Pronto Atendimento Infantil (PAI), explica que a ONG está em fase de estudo do regimento.
A primeira preocupação dos ‘‘Anjos da Guarda’’ é a criação de um protocolo único de atendimento para todas as entidades que lidam com casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Este tipo de procedimento, segundo Jonílson Favoretto, já existe em algumas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
O protocolo vai servir para organizar, principalmente, o recebimento e encaminhamento das vítimas. ‘‘Hoje há um despreparo generalizado das entidades’’, constatou Jonílson Favoretto. ‘‘Falta organização, alguém que dê apoio e que saiba lidar com o caso’’. A idéia, disse o médico, é preparar os profissionais que atuam em hospitais, escolas, enfim, em instituições que trabalham com menores, para que saibam o que fazer ao se deparar com um caso de violência doméstica.
A promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria Silva de Paula, que também faz parte da Alpia, destaca a importância da criação da ONG lembrando que, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, a responsabilidade do atendimento a menores é da Família, Estado e Sociedade.
Na opinião dela, a comunidade está deixando ‘‘a desejar’’ quando se trata de participar de ações de proteção às crianças e adolescentes.
Édina Maria de Paula comenta que os ‘‘Anjos da Guarda’’ pretendem realizar ações de conscientização para que a sociedade denuncie os casos de agressão doméstica, além de orientar os pais para o fato de que existe uma forma de educar os filhos sem apelar para a violência física. A promotora afirma que problemas como negligência, maus tratos e violência sexual contra crianças e adolescentes existem em grande proporção e que o número de casos que chega ao conhecimento das autoridades não reflete a realidade.
A violência doméstica contra crianças é muitas vezes de conhecimento da mãe, afirma Édina Maria de Paula. Mas a mulher demora para denunciar o marido por diversas razões, entre elas a sobrevivência financeira da família, já que o marido pode ir preso. Porém, a promotora lembra que a omissão também é crime e a esposa pode ser penalizada.

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