ONG de pais quer resgatar convivência
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Osmani Costa 
A vida social constitui o único valor comum que reúne os homens e mulheres de todos os tempos e de todos os lugares. Para tanto, é necessário preservar a integridade da vida biopsicossocial. Com o propósito de promover o estudo, a pesquisa e a disseminação dessa idéia, cerca de 25 profissionais de diferentes áreas de atuação e conhecimento fundaram recentemente, em Londrina, a Organização Não-Governamental (ONG) Vir a Ser.
A ONG, uma sociedade civil sem fins lucrativos presidida pela psicóloga Eliana Maria Louvison, se propõe a promover atividades que resultem no desenvolvimento integral do ser humano, levando em conta as contribuições dos diversos campos de conhecimento científico. Tendo como público alvo preferencial as crianças, os jovens e os pais, a Vir a Ser pretende divulgar atos de solidariedade, cooperação, cidadania, ética, autonomia, diversidade étnica e cultural, e outros que fundamentem uma vida individual e social saudável.
A discussão que levou à criação da ONG teve início há cerca de três anos, e nasceu de inquietações de profissionais, das diferentes áreas, que extrapolam para a prática de nossas vidas diariamente. A fundação da Vir a Ser ocorreu porque uma entidade pode dar maior legitimidade e organicidade ao nosso trabalho, conta Eliana Louvison, uma das idealizadoras da proposta que já une psicólogos, médicos, historiadores, jornalistas, sociólogos, pedagogos e outros profissionais.
Eliana Louvison é formada pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Assis em 1977, e reside em Londrina desde 78. Casada pela segunda vez, ela tem uma filha, Renata, que, com 21 anos, também cursa psicologia, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba. Vamos organizar e promover palestras, reuniões, conferências, debates, oficinas. Queremos criar espaços de reflexão, de trocas de experiências, de aperfeiçoamento, de crescimento teórico e prático. Vamos defender a vida de uma maneira integral, no sentido mais amplo e positivo possível. A única proibição dentro da ONG é ser contra alguma iniciativa. Não somos antinada, explica a presidente.
A Vir a Ser estrutura suas atividades por meio de projetos específicos. Estes se interligam pelo objetivo de estudar e desenvolver ações que visem a educação em sociedade e a melhoria da qualidade de vida da população como um todo. Atualmente, existem sete projetos em diferentes fases de desenvolvimento. O mais antigo e mais estruturado deles é o Pais em Paz, cujo objetivo principal é o trabalho na formação de pais e futuros pais. O projeto considera que se faz necessário que os pais recuperem o direito e a responsabilidade sobre a educação de seus filhos.
Este projeto parte do princípio de que é fundamental e urgente informar os pais sobre o completo desenvolvimento humano: físico, psíquico e social. Ele acaba de lançar a revista trimestral Vir a Ser, que neste primeiro número contém 40 páginas recheadas de comentários e dicas sobre o processo de educação dos pais e dos filhos, além de um artigo do psicólogo-clínico Ivan Capelatto, que reside em Campinas (SP), mas é um dos idealizadores da ONG londrinense, onde atua como assessor científico.
O X da Questão é outro projeto, que pretende tratar das questões da juventude no mundo contemporâneo através de palestras, de grupos de debates, e de várias técnicas do psicodrama e do teatro da espontaneidade. O projeto Rádio vai divulgar, através de programas infantis em emissoras AM e FM, o material de boa qualidade que tem sido produzido por autores nacionais; que não encontram espaços no mercado porque não instigam o consumismo, mas sim a qualidade e respeito à infância.
No projeto Vila de Brincar, o objetivo é construir um espaço alternativo de resgate dos antigos jogos infantis e possibilitar a criação de novas formas de brincar. O Pais e Filhos pretende oportunizar uma convivência diferente da existente hoje na maioria dos lares, tendo como base uma vida simples, desprovida de artifícios, onde o maior apelo será o estar juntos. Serão organizados acampamentos, onde pais e filhos participarão com alegria e espontaneidade de atividades especialmente programadas para este fim.
Viver em Sociedade é outro projeto da ONG. Nele, o objetivo é disseminar, através de palestras, grupos de discussão, e a produção de livretos, a necessidade de se combater o individualismo exacerbado com idéias e práticas de solidariedade, cooperação, amizade e responsabilidade nas relações humanas. O Brinquedoteca Terapêutica propõe a criação de um espaço de brincar como importante recurso auxiliar no tratamento de crianças enfermas, abrangendo a faixa etária entre dois e 14 anos.
Não temos a fórmula mágica para salvar a Pátria. Mas sabemos que, coletivamente, fica mais fácil encontrarmos o caminho para a solução dos problemas dos pais e filhos, dos educadores e estudantes. É neste sentido, agregador e interdisciplinar, que a Vir a Ser desempenha um papel da maior importância. Ela chega em boa hora e veio para ficar, afirma a educadora e diretora do Sindicato das Escolas Particulares de Londrina, Silvia Crusiol, que é uma das fundadoras da nova ONG.


