ONG contesta licença para termelétrica em Araucária
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terça-feira, 20 de novembro de 2001
Israel Reinstein<br>De Curitiba 
A Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar) abriu guerra contra o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por causa da concessão de licença prévia de empreendimento para Conversora de Fertilizante e Energia do Paraná (Cofepar). A termelétrica, a ser construída em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, é considerada altamente poluente pela Amar.
Mas a coordenadora de Centro de Pesquisa do IAP, Ana Cecília Nowacki, disse que a autorização foi dada porque o projeto está dentro dos parâmetros ambientais estabelecidos em lei. São sócias da Cofepar a Petrobras, Ultrafértil e PSEG (EUA).
A Cofepar será uma usina termelétrica movida a óleo combustível que, além de energia elétrica, vai produzir vapor e sulfato de amônia. Parte dos gases de enxofre gerados será reprocessada em sulfato de amônia, usado na agricultura.
''É um absurdo o que fizeram ao liberar a construção de uma usina altamente poluidora na cidade. O IAP não levou em conta um abaixo-assinado de 30 mil moradores'', criticou a presidente da Amar, Lídia Lucaski. Dados da Amar apontam que serão lançados no ar aproximadamente 44,33 toneladas por dia de poluentes (poeira, cinzas, particulados, gases etc).
Mas a coordenadora do Centro de Pesquisa do IAP, Ana Cecília Nowacki, disse que estudos realizadas pelo órgão indicam que a poluição atmosférica será quase zero. Ana Cecília disse que a usina vai ainda resolver um problema de destinação do resíduo sólido. Como a Cofepar vai operar com sobras do processo industrial da Petrobras, na opinião de Ana Cecília o transporte do óleo para outras regiões seria reduzido, evitando possíveis acidentes no translado.
Mas Lídia Lucaski entende que os produtos gerados pela Cofepar não terão mercado. Outra crítica da ambientalista é que a energia produzida pela Cofepar não será consumida em Araucária nem no Paraná, porque irá para a Eletrosul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
A previsão é de que a usina comece a operar no último trimestre de 2003, com 630 megawatts de energia. Por enquanto, a empresa não poderá construir nada no local, já que a licença ambiental prévia só autoriza a realização do projeto da usina.


