Londrina está perdendo árvores nativas, de copas generosas e capazes de refrescar o ambiente ao seu redor, para espécies de porte pequeno, que não atingem fios e não atrapalham a visibilidade das fachadas de estabelecimentos comerciais, mas também quase não produzem sombra e têm pouca capacidade de reter gás carbônico. Para desestimular esta prática e incentivar o plantio de mais árvores no espaço urbano a cidade foi contemplada recentemente pelo trabalho da Ong Tudo Verde, que desenvolve o Projeto RG da Árvore.
A idéia é cadastrar todas as árvores da cidade, disponibilizando em um site (www.rgdaarvore.net) uma espécie de raio-x de cada uma, com foto, número de registro, espécie, localização e a situação constatada na última visita (tipo de poda, condições da calçada e tipo de rede elétrica). Pelo menos a cada 12 meses uma dupla de técnicos faz nova visita a cada uma. Para conseguir as informações, basta acessar o site, clicar na cidade e na rua onde o exemplar está localizado. O trabalho das equipes locais começou pelos jardins Champagnat e Tókio (Zona Oeste), com o cadastramento de 35 árvores.
O projeto nasceu em 2004, em Presidente Prudente (SP), e antes de chegar a Londrina foi implantado em Ourinhos e Maringá. Só neste último município já são 8.480 registros. Segundo o diretor e criador da Ong, Pablo Melo, a intenção é ter o cadastro de todas as espécies localizadas nas vias urbanas de Londrina até o início do ano que vem. ''É essencial que o município conheça o seu patrimônio verde, até para subsidiar as decisões relacionadas ao meio ambiente e prepará-lo para o aquecimento global'', argumenta Melo.
Ele lembra que a cidade possui entre 90 e 100 mil árvores, e que o número ideal seria em torno de 400 mil, quantia suficiente para neutralizar os gases responsáveis pelo efeito estufa. ''Se cada pai de família plantasse uma árvore já seria suficiente'', calcula. Quem não quiser plantar, mas apenas adotar uma ou algumas árvores, pode se cadastrar gratuitamente no site como ''Amigo da Árvore'', e além de cuidar, denunciar maus tratos, podas irregulares e erradicações. Para Melo, ''as árvores urbanas são o elemento certo no lugar certo'', já que em 75% dos casos as emissões diretas e indiretas de gases ocorrem no ambiente das cidades.
''Um dos nossos objetivos é incentivar o plantio de árvores, que em 10, 15 anos podem fazer muita diferença no microclima de um determinado lugar. Mas para isso tem que ser árvore de verdade, e não estes arbustos, como resedás e hibiscos, que se plantam hoje pela cidade'', argumenta.
O secretário municipal de Ambiente, Gerson da Silva, admite que muitas árvores estão substituídas por espécies menores. Ele lembra que o município está preparando uma política de arborização, que poderá notificar os responsáveis pela substituição ou erradicação para que plante mais árvores em outro local. ''O que importa é ver se a árvore erradicada estava na curva ascendente ou descendente de sequestro de carbono. Nossa preocupação não será com o tamanho da árvore, mas com sua capacidade de reter carbono.''
Silva informou que foi procurado pela Ong e achou o projeto interessante. ''Vai de encontro ao projeto de georeferenciamento do município'', informou. A Secretaria, porém, está aguardando uma proposta oficial de parceria com a organização, que conta com vários outros parceiros nos municípios em que está presente.

mockup