ONG coleciona prêmios e faz escola
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 1996
Da Sucursal 
Os organismos internacionais reconhecem hoje a Pastoral da Criança como a experiência comunitária em saúde mais bem-sucedida do mundo. Essa credibilidade fez da ONG brasileira uma forte candidata ao Prêmio Nobel da Paz. O escritor argentino, Adolfo Peres Esquivel, ganhador o prêmio em 1980, é um dos entusiastas da indicação. Como o Nobel foi concedido este ano pela primeira vez a lideranças de língua portuguesa á- o bispo Carlos Ximenes Belo e o jornalista José Ramos Horta, defensores da independência do Timor Leste - a indicação da pastoral está sendo planejada para 1999.
Prêmios internacionais já são uma rotina para a entidade. Em 89, a pastoral foi considerada uma das seis melhores experiências em saúde e nutrição comunitárias na conferência do Fórum Internacional de Nutrição em Seul, na Coréia. Em 91, foi a vez do Unicef conceder o título de melhor programa de nutrição comunitário do Brasil para a pastoral. Em 92, o governo francês concedeu o prêmio Liberté, Egalité, Fraternité à pastoral por ter colaborado para a redução da violência familiar.
O sucesso da pastoral extrapolou fronteiras e transformou Zilda em presença frequente em congressos internacionais. Sexta-feira ela embarcou para o Canadá, país que se orgulha do seu sistema de saúde, para contar sua experiência. Em outubro, Zilda foi à África do Sul, Angola e Bengela, onde foi criada a primeira pastoral da criança do continente africano. No Paraguai, a Pastoral del Ni¤o, criada em 95, já atende cerca de 50 mil crianças.
O segredo da pastoral é ter feito com que a própria comunidade se sentisse agente de transformação da sua realidade, acredita a pediatra, lembrando que a maioria dos seus voluntários são mulheres de humildes. A ligação com a Igreja não impede que a ONG atue em zonas de prostituição ou favelas que convivem com a guerra do tráfico de drogas. A entidade não recusa nem mesmo a ajuda de ladrões ou traficantes. Não julgamos o comportamento das pessoas, pois o que interessa é proteger a saúde das crianças, afirma Zilda.


