ONG apóia moradores do litoral do PR
Rubens Burigo Neto
De Antonina
No ano passado o casal Pedro Gouveia, 36 anos, e Maria Helena Lima da Cruz, 33, pensava em deixar a comunidade de Bairro Alto, que fica a 30 quilômetros do centro de Antonina, cidade histórica do litoral paranaense. Maria, que foi agricultora até que a mãe dela vendeu um pedacinho de terra há alguns anos, estava desanimada porque não iria mais vender compotas de frutas de época e conservas para um comerciante, que as revendia em Curitiba.
Pedro foi demitido depois de quase dois anos trabalhando como mecânico numa empreiteira que prestou serviços na rodovia BR-277. Os dois garantem que abandonaram a idéia da mudança quando começaram a participar, desde a metade de 1999, dos projetos realizados pela Associação de Defesa do Meio Ambiente e do Desenvolvimento de Antonina (Ademadan).
Maria voltou a produzir as compotas e conservas e Pedro aprendeu com ela a fazer artesanato em pedra sabão. Quando era criança, fazia carrinhos de madeira e de lata, mas não pensei que pudesse fazer peças em pedras, revelou Pedro. O que eles produzem é vendido na feira de artesanato ecoturístico da Mata Atlântica, que funciona todos os dias numa ruína ao lado da Câmara Municipal, na Praça Coronel Macedo, no centro de Antonina. As compotas mais caras saem por R$ 10,00 e os carrinhos, entre R$ 5,00 e R$ 15,00. A feira é administrada por cerca de 30 artesãos e pela Ademadan, que fica com 10% dos lucros para poder se manter.
Fundamos essa organização não-governamental (ONG) em 1997, para garantir à população local um forma de desenvolvimento sustentável sem agredir o já desgastado ecossistema da região, informou a presidente da Ademadan, Eliane Beê Boldrini, que é mestre em educação e professora do curso de Turismo da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) uma das principais parceiras da ONG.
No ano passado a entidade organizou várias oficinas de artesanato para ensinar os moradores a trabalhar com materiais alternativos e melhorar a qualidade das compotas e conservas. Conseguimos R$ 10 mil do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para criarmos um selo de garantia ao que é produzido pela comunidade local, disse o vice-presidente da Ademadan e PhD em meio ambiente e desenvolvimento, Eloy Casagrande Júnior.
Apesar do sucesso do projeto na comunidade, eles reclamam dos guias de turismo que levam pessoas para visitar Antonina e os apresentam somente à Igreja de Nossa Senhora do Pilar, no centro da cidade. É uma atitude anti-ética, porque Antonina tem muito mais a oferecer, criticou Eliane. Casagrande informou que já enviou um ofício à Serra Verde Express (empresa responsável pelas viagens de trens que ligam Curitiba ao litoral) pedindo para que as vans que trazem viajantes à cidade possam visitar a feira da Ademadan. Os processos de degradação ambiental e social começam sempre com a exploração errada do turismo, alertou.Associação administra uma feira junto com 30 artesãos, onde é revendid o o artesanato produzido pela comunidade de Antonina
José SuassunaNovo rumoPedro Gouveia chegou a pensar em deixar a comunidade de Bairro Alto por causa da falta de trabalho. Abandonou a idéia depois que aprendeu a fazer peças em pedra sabão e a vendê-las na feira de Antonina. No local, os moradores comercializam artesanato e alimentos, como a tradicional bala de banana





