Criada há cinco anos, a Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart) acaba de ser premiada nacionalmente pelo segundo ano consecutivo. No final de setembro, concorrendo com mais de 300 trabalhos de todo o País, ela recebeu o prêmio ‘‘Educação para a qualidade do trabalho’’, do Ministério da Educação (MEC), como uma das cinco melhores alternativas para a alfabetização de jovens e adultos.
A proposta premiada neste ano é o Projeto de Educação dos Posseiros (Pepo), que atende cerca de 1100 alunos a partir de um núcleo baseado no município de Pinhão (40 km ao sul de Guarapuava, no Centro do Estado). O projeto é desenvolvido a partir de uma parceria entre a Apeart, a Universidade Estadual do Centro do Paraná (Unicentro), e a Prefeitura de Pinhão.
O prêmio do MEC - que não distribui vantagens econômicas, mas apenas um troféu - trata-se de um estímulo ao fortalecimento e à multiplicação das experiências que alfabetizam trabalhadores jovens e adultos de origem humilde. Ele está dividido em três categorias de trabalhos: os desenvolvidos pela iniciativa privada, por órgãos governamentais, e por Organizações Não-Governamentais (ONGs).
A Apeart é uma ONG sem fins lucrativos que nasceu na Comissão Pastoral da Terra (CPT), com forte base religiosa, mas que tem perfil ecumênico e hoje é autônoma. Contando com 400 monitores e 30 supervisores, ela está presente em quase todas as regiões do Estado e desenvolve atualmente sete projetos. Neles, estão sendo alfabetizados mais de oito mil jovens - a partir de 14 anos - e adultos. Além de se concentrarem no atendimento à população carente da periferia das cidades, os projetos atendem 20 vilas rurais e 11 reservas indígenas, onde perto de 300 índios estão aprendendo a ler e escrever.
Os projetos, que incluem ainda um cursinho preparatório ao vestibular em Londrina, são financiados com recursos vindos basicamente do governo estadual e prefeituras. A Apeart, que é presidida pelo padre Dirceu Luiz Fumagalli e tem sede em Londrina, está implantando um novo projeto para a alfabetização de meninos e meninas de rua da cidade, em ação conjunta com as secretarias municipais de Educação e Ação Social.
A maioria das pessoas atendidas pelos projetos da Apeart é formada por mulheres, com um índice de quase 70%. Entre elas, a maior concentração (16%) está nas que têm entre 30 e 39 anos de idade. Entre os homens, a parte mais significativa (11%) possui entre 15 e 24 anos. No Brasil, cerca de 14% da população são analfabetos. Entre eles, 32,3% têm mais de 50 anos de idade; e apenas 3,7% possuem menos de 19 anos. O analfabetismo é maior no Nordeste do País, onde atinge 37,6% das pessoas com mais de 15 anos, enquanto que este índice cai para 11,8% na Região Sul.

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