Terapia, jardinagem, artesanato, cursos profissionalizantes e muito esporte. Essa é a forma encontrada pelos profissionais do Centro de Recuperação Vida Nova, o Cervin, para ajudar adolescentes, homens e mulheres drogadictos. A instituição, que tem unidades em Cambé e Rolândia, atende atualmente 55 pessoas e conta com a colaboração da comunidade, além de parcerias com prefeituras, para se manter. A entidade gasta cerca de R$ 1 mil por mês, com cada paciente.
O coordenador do Cervin, Edson Antonio Galvan, explica que o tratamento dura cerca de seis meses. A maioria dos pacientes chega ao Centro desorientado e sem saber como se livrar do vício. ''Eles chegam bem debilitados por conta da droga. Os adolescentes se mostram bem agressivos. As mulheres, apesar do vício, são mais maduras, questionadoras. Todos sofrem com uma forte desestrutura familiar e buscam recuperar uma vida normal'', conta a psicóloga da instituição, Fernanda Barutta Pierri Corrêa.
Criado com o objetivo de auxiliar, recuperar e ressocializar pessoas portadoras de dependência química, o Cervin já atendeu cerca de 2,3 mil pessoas. A organização não-governamental foi fundada em 28 de fevereiro de 1985, em Rolândia, e hoje conta também com uma unidade em Cambé, onde são tratadas somente mulheres.
Na unidade feminina as mulheres apresentam os mais variados problemas, desde gravidez indesejada até envolvimento no tráfico de drogas por influência de seus companheiros.
''Contamos com uma equipe de médicos, psicólogos e profissionais que se pautam na importância da vida e do trabalho em grupo. Também há uma orientação espiritual. Atualmente, a mais nova atividade que elas estão envolvidas é com a plantação de palmito. Queremos que elas possam produzir também. Tudo o que conseguirmos vender será revertido para a manutenção do próprio Cervin'', diz.
A psicóloga da ONG salienta que os vícios variam desde o cigarro comum até o crack, droga que, segundo ela, tem atingido pessoas de todas as classes sociais. ''É impressionante a mudança do comportamento. No início, muitas chegam aqui sem noções de higiene e comportamento. Quando saem estão completamente diferentes e dispostas a ter uma vida saudável e melhor'', comenta a profissional.
Há dois meses na ONG, Maria Rita (nome fictício), 30 anos, moradora de Cambé, já se sente ''bem melhor''. Quando chegou no Cervin, Maria Rita era viciada em crack e também não conseguia abandonar o cigarro. O vício, segundo ela, começou quando tinha apenas 16 anos, época em que namorava um traficante em Londrina. Em fase de tratamento, Maria Rita adora as atividades realizadas na cozinha e já sonha em tentar um trabalho de cozinheira quando sair da unidade.
''Acabei vindo pra cá por causa dos meus filhos. Estavam querendo tirá-los de mim alegando que eu não tinha condições de criá-los. Aqui eu me sinto muito bem, eu gosto de conversar com as outras mulheres e nem fumar, que estava sendo muito difícil, sinto mais vontade. No começo o motivo para eu me recuperar era por causa dos meus filhos, agora eu quero mudar, ser diferente, por mim mesma. Quero cuidar deles, ficar perto deles para que eles nunca passem pelo que passei'', diz.

Serviço: O Cervin aceita doações e trabalho voluntário. Mais informações com Edson Galvan - Unidade de Rolândia (43) 32563325 ou 3256 2696 / Unidade de Cambé (43) 32549516.

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