ONG - processa organização que 'recupera' gays
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de agosto de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O Grupo Dignidade, primeira ONG criada no Paraná para promover os direitos humanos dos homossexuais, vai entrar com representação no Ministério Público contra a Exodus Brasil, uma regional da Exodus Internacional, organismo de suporte a ministérios que trabalham dentro de igrejas com pessoas envolvidas com a homossexualidade. A Exodus foi tema de reportagem exibida na edição do programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo. A matéria, intitulada ''Terapia para Homossexuais'', abordou a polêmica dos campos de recuperação para gays nos Estados Unidos.
A reportagem citou Londrina como sede da organização Exodus no Brasil. A cidade recebeu, entre os dias 8 e 11 de julho, mais de 100 participantes para um congresso dirigido a pastores e pessoas ''que experimentam comportamento e/ou alterações homossexuais''.
A advogada que representa o Dignidade, Silene Hirata, pretende também abrir processo criminal contra os representantes da organização por curandeirismo e charlatanismo. ''Conforme relatos de gays que procuraram o 'apoio' da Exodus, a organização utilizava métodos violentos de 'cura''', diz o texto. O comunicado lembra que em 17 de maio de 1993 a homossexualidade foi retirada do Código Internacional de Doenças (CID), deixando, portanto, de ser considerada patologia.
Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade e secretário geral da Associação Brasileira de Bissexuais, Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), afirma que em 1995 o Dignidade fechou o Ministério Hermom, em Curitiba, uma casa que dizia 'curar' homossexuais. ''Não podemos aceitar atitudes e conceitos da idade média, temos que aplicar a legislação pertinente para coibir esse tipo de situação, afinal nosso estado é laico'', afirma Reis.
O tema da reportagem do Fantástico foram as discussões em torno dos ''tratamentos'' para homossexualismo, depois que um adolescente norte-americano revelou em seu blog (diário na internet) que foi obrigado a frequentar um ''campo de concentração de recuperação de homossexuais'' depois de assumir perante os pais sua opção sexual.
No blog, o garoto escreveu: ''Eles disseram que psicologicamente há alguma coisa errada comigo ou que eles me criaram de uma forma errada. Para eles, eu sou confuso e não estou no caminho que Deus quer para mim (...)''. O local frequentado pelo garoto chama-se ''Amor em Ação'', e fica no Tennessee.
A direção regional da Exodus não quis se manifestar ontem, informando que irá divulgar hoje ou amanhã um comunicado oficial.


