A organização não-governamental (ONG) SOS Animal inicia hoje uma campanha para castração de cadelas abandonadas. O primeiro bairro que servirá como projeto-piloto da campanha é o Conjunto Novo Amparo (Zona Leste), onde 90 cadelas serão castradas por médicos veterinários voluntários de dez clínicas da cidade.
Segundo a presidente da ONG, Andréia Jacomossi Sant'Anna, há 16 anos o SOS Animal castra animais com dinheiro dos próprios voluntários e apoio de algumas clínicas veterinárias, mas a situação da ONG está ficando cada vez mais difícil, pois o número de animais aumenta a cada dia. ''Atualmente estamos cuidando de 130 animais. Não temos estrutura física nem condições financeiras para arcar com as despesas de ração, vacinas e as castrações. Queremos, por meio da campanha, mostrar que a ação realizada nos bairros tem tudo para dar certo e assim, quem sabe, recebermos ajuda do poder público'', explica.
A presidente da ONG explica que há exemplos positivos de ONGs em São Paulo, como a ''Arca Brasil'' que realizaram o mesmo procedimento e conseguiram diminuir o número de animais nas ruas. ''Para a campanha precisamos da ajuda de voluntários pois vamos ter que levar esses animais até as clínicas. Tivemos a colaboração da associação de moradores do bairro, que nos auxiliou a cadastrar os animais que serão castrados''.
Os animais que passarão pela cirurgia são cadelas semi-domiciliadas - passam o dia na rua e só voltam para a casa dos donos na hora de dormir.
Dados do SOS Animal apontam que há cerca de 40 mil animais abandonados nas ruas de Londrina. Atualmente a ONG conta com 30 voluntários; destes, cinco disponibilizam suas casas para cuidar dos cães e gatos até que eles sejam adotados.
Uma das voluntárias é Eliane Pereira Pimenta da Silva, que atua na ONG desde 1992. ''Aqui em casa já está superlotado, estou com 20 animais, por isso é importante que possamos doar logo'', aponta.
A castração de uma cadela em clínicas particulares da cidade pode variar de R$ 150 a R$ 350, dependendo do peso do animal. Para a castração de gatas o valor varia de R$ 100 à 120. O Hospital Veterinário (HV) da UEL atende pessoas que não têm condições de pagar a castração porém o serviço não é gratuito (valores não foram divulgados pela UEL). Além disso, existe uma fila de pelo menos 70 animais.
''Castrar o animal é um ato de amor, diminui os riscos de doenças e evita o aumento de bichos abandonados nas ruas'', ensina Andréia.
O SOS Animal também atende denúncias de violência contra cães e gatos. Segundo o voluntário Getúlio Pícolo, a ONG recebe cerca de três ligações diárias denunciando maus tratos. ''Esses dias fui numa casa onde havia quatro cachorros amarrados numa árvore, o dia todo sem comida nem água, debaixo de chuva e sol. Duas cadelas estavam prenhas. Desse jeito, é melhor não pegar nenhum bicho para cuidar'', pondera.
Algumas denúncias também estão sendo encaminhadas ao Ministério Público. Pícolo salienta que vários animais resgatados pelo SOS Animal têm aparecido com ferimentos. ''Trabalhamos com a conscientização e queremos divulgar, principalmente para as crianças, a importância de cuidar dos animais e não maltratá-los'', diz.

Serviço - A ONG recebe doações em dinheiro, ração ou vacinas, além de denúncias contra maus-tratos de animais, pelo telefone 9996-0027.

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