Onde serviço bancário é artigo de luxo
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segunda-feira, 01 de junho de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Londrina conta com mais de duas centenas de agências bancárias, lotéricas e correspondentes bancários. O problema é que a concentração desses estabelecimentos privilegia áreas centrais ou vias de fluxo intenso e deixa moradores de vários bairros sem opção para fazer transações financeiras. A reportagem da FOLHA elaborou um mapa que mostra a concentração de bancos na área central e em outras poucas vias. Muitos bairros da área urbana ficam até 7 km distantes da agência bancária mais próxima, demonstrando que há um desequilíbrio na distribuição dos bancos pela cidade.
Some-se a este quadro o fato de muitas empresas depositarem os salários dos funcionários em um banco específico. Isso pode facilitar a vida das empresas, mas dificulta o dia a dia dos trabalhadores, principalmente os mais pobres, que não têm carro e dependem do transporte coletivo para chegar à agência mais próxima. Muitos são obrigados a perder o dia de trabalho para usar serviços bancários.
O lavrador Paulo Soares, de 58 anos, mora no Jardim Nova Esperança (zona sul) e relata que a agência bancária mais próxima fica na Avenida Inglaterra, no Jardim Igapó, a 7,1 km de distância de onde mora. "Eu já sou de idade e para nós não compensa mais ter conta no banco. Ultimamente só tenho ido na Avenida Guilherme de Almeida, no Conjunto Ouro Branco (zona sul), para pagar as contas em uma lotérica, que fica a 4 km de distância. Mesmo assim tenho que pegar uma circular para fazer isso", destaca.
O vigilante Cláudio Vicente dos Santos, de 37 anos, que mora no Bairro Santa Clara (zona leste), perto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, também reclama que não há serviços bancários nas proximidades. O local tem 176 apartamentos, onde vivem 528 pessoas, mas não há um caixa eletrônico, agência bancária ou lotérica por perto. O banco mais próximo fica no Conjunto Antares, a 2,4 km de distância. "Não posso usar a agência de lá, porque sou cliente de outro banco. Então preciso me dirigir ao caixa eletrônico do aeroporto, que fica a quase 5 km distante, ou ao Shopping Boulevard, que fica a 3,2 km de distância, para usar os caixas eletrônicos", lamenta. Ambos os estabelecimentos contam com estacionamento pago. "Os bancos precisavam ser integrados e receber as faturas de diversos bancos. Do jeito que as coisas são, com várias faturas, tenho que ir ao centro e levo horas para ir de uma agência para outra. No final acabo gastando um dia inteiro para isso", aponta.
O policial militar Luiz Carlos Rissi, de 51 anos, também morador do Santa Clara, aproveita o horário de almoço para ir ao banco. "Tenho que almoçar rapidinho para fazer isso. Por isso, não tenho como ir a pé. Então gasto com combustível", lamenta.
Para o comerciante Hélio Emídio, de 62 anos, do do Conjunto Cafezal (zona sul), a lotérica mais próxima fica a 2 km, no Parque Industrial Kiugo Takata. "Tenho que pedir para os meus filhos, que trabalham no centro, para que paguem as contas por mim", afirma.
Segundo a assessoria de imprensa do Banco Central do Brasil, as instituições bancárias têm autonomia para definir onde pretendem abrir agências, após a devida autorização do BC.
O coordenador do Procon em Londrina, Rodrigo Brum, também destaca que nenhum dispositivo no Código de Defesa do Consumidor pode obrigar as instituições a abrir agências em bairros afastados. "Mas que a população desses bairros é penalizada, isso é. Ela só tem acesso às redes bancárias no centro. Recentemente, na Gleba Palhano, abriram várias agências, enquanto outras regiões da cidade não foram contempladas", destaca.



