Onde Moras recebe o Prêmio Cidadania
Lucilia Okamura
O projeto Onde Moras, que prevê a construção de casas pelo sistema de mutirão utilizando material reaproveitado, receberá amanhã em Brasília o 2º Prêmio Cidadania - Troféu Herbert de Souza. O projeto, desenvolvido em bairros carentes de Londrina, ficou em segundo lugar na categoria Combate à Fome e à Miséria e terá direito a R$ 5 mil.
O prêmio é instituído pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) e realizado a cada dois anos. O diretor administrativo-financeiro da Anabb, Douglas Scortegagna, explica que o objetivo é premiar pessoas que demonstram solidariedade, trabalhando pela população mais pobre. Ao todo, 121 participantes, de vários Estados, se inscreveram para concorrer ao prêmio.
A Anabb premiou cinco projetos em duas categorias (Educação e Combate à Fome e à Miséria) e três na categoria Geração de Emprego e Renda. O primeiro lugar receberá R$ 7 mil, o segundo, R$ 5 mil, o terceiro, R$ 3 mil, o quarto, R$ 2 mil e o quinto lugar, R$ 1 mil.
O idealizador do projeto, engenheiro Maurício Costa, afirma que o reconhecimento do trabalho é mais importante que o prêmio em dinheiro. ‘‘É uma chance do Brasil conhecer este projeto para ser desenvolvido em outras cidades’’, observa.
Criado em dezembro de 1996, o Onde Moras permite a construção de casas a um custo muito baixo. Isso porque todo o material utilizado na construção é retirado de casas que seriam demolidas. O desmanche do imóvel é feito por um grupo de cinco moradores. Outras cinco pessoas se encarregam da construção das casas. Dentro dessse sistema, já foram construídas unidades em alguns bairros, como no jardim Olímpico (zona oeste).
Apesar de ser o coordenador do projeto, Maurício Costa não irá a Brasília. Quem receberá o prêmio é o presidente da Federação de Associação de Assentamento e Sem-Teto de Londrina e Região, José Ricardo da Silva. A federação ‘‘emprestou’’ o nome ao projeto, já que o regulamento previa que apenas entidades poderiam participar do prêmio. ‘‘O Onde Moras não tem razão social, por isso pedimos à federação para representar o projeto’’, explica. A Folha telefonou para José Ricardo da Silva durante vários dias, mas não conseguiu localizá-lo.

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