Onde Moras ganha mais apoio; mutirantes recebem alimentos
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Dorico da SilvaParticipaçãoMoradores do jardim Olímpico recebem cestas básicas da Igreja Católica: projeto ganha reconhecimentoO projeto Onde Moras - que prevê construção de casas populares com sobras de demolições - está conseguindo o reconhecimento e participação de empresas e da comunidade organizada. A construtora Meta é a mais nova empresa a integrar o projeto e já doou todo o material de duas casas que ocupavam o terreno de esquina entre as ruas Goiás e Belo Horizonte (centro de Londrina).
As duas casas seriam demolidas para construção do Residencial Augusto Gomes - considerado de excelente padrão. Visitei o trabalho do projeto em vários locais da Cidade e fiquei admirado com a qualidade das casas e empenho das famílias, disse o gerente da Meta, Claudio Mazzia. Este tipo de projeto merece todo apoio.
Além do material, a empresa vai doar parte do que teria gasto com a demolição caso tivesse contratado empresa particular para o serviço.
Os trabalhos de demolição da primeira casa, feita de madeira, foram concluídos na terça-feira. Do muro - com cerca de 30 metros -, o grupo com representantes de 12 famílias do jardim Olímpico (zona oeste) conseguiu retirar cerca de 3 mil tijolos. O material será reaproveitado na construção das casas dessas pessoas. O grupo já concluiu seis casas e outras duas estão em fase final. O grupo só encerrará os trabalhos quando todas as famílias forem atendidas pelo projeto.
O engenheiro Maurício Costa, coordenador do projeto, explica que as famílias são selecionadas com o apoio da comunidade onde vivem. O terreno tem de estar regularizado para poder integrar o projeto. As casas, de 44 metros quadrados, são construídas em regime de mutirão. Os representantes das famílias beneficiadas recebem treinamento. Eles aprendem a fazer a demolição de forma a aproveitar o máximo de material possível e depois constróem uma casa por vez.
Na medida em que vão ficando prontas, as casas são sorteadas entre o grupo. O engenheiro conta que os dois grupos do jardim Olímpico estão conseguindo construir quatro casas por mês.
O projeto assume a demolição em troca do material. Mas Costa lembra que o projeto não depende apenas da doação de imóveis para demolição. O grupo do Olímpico recebeu anteontem cestas básicas doadas pela Igreja Católica. Os alimentos foram entregues às famílias pelo monsenhor Bernardo Gafá. As famílias envolvidas no projeto são carentes e precisam pelo menos da garantia do alimento para trabalhar na construção de sua casa, Maurício diz Costa.
Na primeira etapa do projeto no Olímpico, as cestas básicas foram garantidas pela associação dos funcionários do Banco do Brasil. O BB doou sobras de um prédio que precisava ser demolido.
O objetivo do projeto é construir 100 casas só nos bairros Olímpico I e II. Nos próximos dois anos, o projeto Onde Moras pretende ter realizado o sonho da casa própria de 500 famílias carentes em toda a Cidade.


