Começou na manhã de ontem, em Londrina, o cadastramento de famílias que moram em barracos. Idealizado pelo projeto Onde Moras (quem tem o objetivo de erguer casas para famílias carentes aproveitando material de construção usado), o levantamento tem o intuito de contribuir para a quantificação do déficit habitacional do município.
Segundo o coordenador do projeto, Maurício Costa, a idéia é pioneira e será realizada em parceria com integrantes do Consórcio Social da Juventude, mais conhecido como Programa Vida Nova. Cerca de 130 voluntários do programa vão percorrer nove bairros londrinenses durante um mês para aplicar questionários que identificarão as famílias, a situação do terreno e dos barracos e as condições em que esses moradores vivem. ''Hoje já existem mais de 500 barracos em Londrina'', calcula.
Entre os bairros analisados estão o Jardim Quati, Santa Fé, Nova Conquista, Novo Perobal, União da Vitória de I a IV, São Jorge, São Marcos, Maracanã e João Turquino. ''Todos os lotes são legalizados, possuem escritura e infra-estrutura para receber a casa'', assinala Costa. Ele reforçou que o projeto é contrário a invasão de terras e fundos de vale.
O coordenador recordou ainda que projeto recebeu, na última sexta-feira, uma doação de mais de R$ 100 mil em mercadorias apreendidas pelos fiscais da Receita Federal de Londrina. Segundo ele, os produtos serão comercializados em bazares e o dinheiro arrecadado será somado aos recursos liberados pelo governo federal, pela Caixa Econômica Federal e pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina para a construção das casas.
De acordo com Costa, essa quantia será suficiente para levantar 60 casas de 40 metros quadrados, além de um centro comunitário de 250 metros quadrados no Jardim São Jorge (Zona Norte de Londrina).
A família da dona-de-casa Maria de Fátima Braga, 21 anos, poderá ser uma das contempladas do projeto. Moradora do Jardim São Jorge há dois anos e meio, ela ainda vive com o marido e o filho no barraco de madeira deixado pelo antigo morador do terreno. ''Meu marido é servente, mas está desempregado. O nosso sustento vem dos bicos que ele faz'', contou. Para ela, o cadastramento aconteceu na hora certa. ''Acho bom, porque não tenho condições de construir uma casa tão cedo'', lamentou.
Os adolescentes que irão aplicar os questionários receberam treinamento de um dia para aprender como abordar as famílias e coletar os dados. De acordo com Cristênio Rodrigues Gazolla, coordenador da regional norte do Programa Vida Nova, o trabalho faz parte das atividades do consórcio social. ''Dentro do programa, os jovens têm 200 horas de aulas teóricas, 200 horas de aulas práticas e mais 100 horas de trabalho voluntário, realizado aos sábados e
domingos'', explicou.
Nas aulas teóricas, conta Gazolla, os adolescentes aprendem conceitos de cidadania, educação ambiental, matemática, português e inclusão digital. ''Já as aulas práticas são realizadas em entidades específicas como o Sindicato dos Contabilistas e o Projeto Onde Moras'', disse.

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