A pensionista Maria Adélia Vieira, 65 anos, dos quais 25 anos morando em um barraco próximo a um fundo de vale, foi uma das cinco contempladas do programa ''Onde Moras'', no Jardim Nova Conquista, na Zona Leste de Londrina. Agora, em uma residência de alvenaria com dois quartos, sala, banheiro e cozinha distribuídos em 41 metros quadrados, ela pode pensar na melhor forma de organizar seu mobiliário. Dividindo a casa com sua filha e duas netas - além do cachorro Menininho -, a pensionista também comenta que novos móveis deverão ser comprados.
''Não tenho muita coisa, não. A chuva destruiu tudo, mas escolhi o maior quarto, pois vou dividir com minhas netinhas de oito e seis anos. Meu Deus, tudo vai melhorar a partir de agora. Essa casa me deixou muito feliz! Fui privilegiada; até dois tanques de lavar roupa eu ganhei'', comenta dona Adélia.
Inspirado pelo colorido do Pelourinho, na Bahia, o engenheiro Maurício Costa, idealizador e responsável pelo programa, decidiu acrescentar cores neste novo lote de casas, fugindo ao branco tradicional. ''Optamos por dar mais vida a este lugar que antes só apresentava barracos. Quando começamos a pintar, os vizinhos também passaram a colorir suas casas, além de procurar melhorar as condições de habitação''. Durante a entrega do novo lote, também esteve presente o gerente de uma das agências da Caixa, Wilson Sfeir.
O projeto contabiliza ao todo 302 casas, incluindo as já entregues. ''No próximo mês, serão quinze famílias beneficiadas no Jardim São Jorge. O custo de cada casa é de R$ 10 mil. Se fosse construída por órgãos públicos, por exemplo, giraria entre R$ 22 mil a R$ 25 mil'', diz, lembrando que os recursos utilizados provém do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) do Governo Federal a fundo perdido, e com apoio da Receita Federal que doa mercadorias ilícitas apreendidas para a realização de bazar.
Entre os materiais reaproveitados na construção estão telha de barro, vitrô, bacia (vaso sanitário), lavatório e tanque de lavar roupa. ''Há quatro anos os moradores não participam diretamente das construções. Agora, eles apenas limpam as telhas, lavam as peças, entre outros pequenos serviços''.
Em sua nova casa amarela, a aposentada Ana Mirene de Figueiredo, 74 anos, despede-se em definitivo dos 36 anos em que residiu no velho e pequeno barraco, onde criou três filhos e netos . ''Nem em sonho eu poderia construir uma casa dessas: bonita, alegre, cheirosa''.

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