Paulo Ubiratan
Trata-se de um verdadeiro mistério o desaparecimento, há três anos, de Maria Aparecida de Oliveira. Na época ela estava com 31 anos e grávida de nove meses. Hoje são contadas diversas histórias em torno do desaparecimento, inclusive de que ela teria sido assassinada e enterrada em um banhado localizado nas proximidades do prédio onde morava, no conjunto Residencial das Américas (zona norte de Londrina). Todas as versões do desaparecimento de Maria Aparecida são intrigantes e aguçam a curiosidade. Menos da polícia.
Segundo os familiares dela, de nada adiantou irem quatro vezes à 10ª Subdivisão Policial (SDP) e à Delegacia da Mulher para registrar queixa e e pedir providências para encontrá-la. Na noite que desapareceu, no último domingo de março de 1998, ela saiu de chinelo e short deixando a chave do apartamento com o porteiro do prédio, prometendo voltar logo em seguida. Segundo o porteiro Marcos Campos, Maria Aparecida de Oliveira teria dito que iria conversar com o namorado e, possivelmente, pai do bebê que iria nascer: um ex-policial militar que trabalhava na segurança dos prédios.
‘‘Não quero incriminar ninguém, mas este homem inventou duas histórias para nós’’, conta o pai da desaparecida, o pedreiro Paulo Evangelista da Silva. Segundo ele, na primeira vez em que foi procurado, o ex-policial chegou a chorar e disse que estava desesperado com o desaparecimento de Maria Aparecida de Oliveira. ‘‘Na mesma ocasião, ele disse que, apesar de estar casado com outra mulher, amava muito Maria Aparecida, a mãe de seu filho que iria nascer’’, afirma.
Mas o que o pedreiro mais estranhou foi que no dia seguinte, mesmo sem ser chamado, o ex-policial foi até à 10ª SDP acompanhado de um advogado. Ele teria declarado que não sabia onde Maria Aparecida de Oliveira se encontrava e enfatizou ao delegado que ela era louca, prostituta e que queria imputar-lhe a paternidade da criança que levava no ventre.
Outro aspecto também curioso do desaparecimento da jovem é que uma semana antes do fato, ela foi até a casa dos pais, chorou e abraçou a mãe, Neide Aparecida. A mãe diz que fica emocionada ao lembrar do fato. ‘‘Eu sou diabética e Maria Aparecida se preocupava muito comigo. Naquele dia ela viu meus exames mostrando que eu estava passando mal em virtude da doença. Depois ela me disse que estava com medo de eu morrrer. Ninguém que vai fugir teria um tipo de comportamento assim’’, afirma.
Neide Aparecida da Silva tem motivos suficientes para não acreditar que a filha tenha fugido. Do primeiro casamento, Maria Aparecida de Oliveira tinha uma filha e Neide afirma que as duas se davam muito bem. ‘‘Eu penso que minha filha jamais abandonaria minha neta. Outra coisa que me chama a atenção foi ela ter deixado em casa todo o enxoval da criança que iria nascer. Para mim, não existia nenhum motivo lógico para ela fugir, pois nem queria saber o sexo no bebê, justificando que sendo homem ou mulher a criança traria somente felicidade para ela e o namorado.’’
Neide Aparecida da Silva diz que viu a filha pela última vez na sexta-feira que antecedeu o desaparecimento, quando a mesma já apresentava dilatação. ‘‘Fiz minha filha ficar deitada durante todo aquele dia, mas ela não quis passar a noite. Disse que precisava voltar para casa, pois queria se encontrar com o namorado e contar que a criança iria nascer por aqueles dias.’’
O pai de Maria Aparecida, Paulo Evangelista, separado da esposa na época estava morando com a filha. Na noite do desaparecimento da filha ele havia ido dançar em um forró e voltado para o apartamento por volta das cinco da manhã, mais de seis horas depois do desaparecimento. Quando foi pegar a chave na portaria do prédio ficou sabendo que a filha tinha saído e até aquela hora não havia voltado.
‘‘O porteiro contou preocupado que ela prometeu voltar logo em seguida e não voltou. Não consegui dormir naquela madrugada e fiquei telefonando para todas as pessoas da amizade da minha filha tentando achá-la. Não acredito que ela tenha fugido de casa’’, desabafa o pai. Ele e Neide dizem que tentam se iludir achando que a filha tenha feito o parto e ficado com amnésia, por isso não tendo condições de encontrar sua casa. Sem recursos, os pais de Maria Aparecida de Oliveira não conseguem contratar um advogado para acionar as autoridades, visando que procurem a filha. Assim, o desparecimento de Maria Aparecida de Oliveira fica sendo mais um dos casos insolúveis. E este, até por falta de investigação.

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