Onde antes havia um grande perobal...
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Além da terra fértil e roxa e da fama por causa do café, Londrina também já foi muito conhecida pelas grandes áreas verdes, que na época da colonização ostentavam árvores enormes como a peroba-rosa. O hino do município traz uma alusão ao passado que orgulhava os londrinenses, ''...cidade que sobe, que cresce, que brota e floresce'' mas revela o triste destino dos perobais: ''...Londrina! Das matas e das derrubadas, Londrina das roças de espigas dobradas!''
Uma das árvores mais belas e nobres da região, a peroba, foi muito mais do que um símbolo; se transformou na própria cidade. Muitas casas, ao longo de décadas, foram construídas com a madeira da peroba, que hoje já não se encontra facilmente na região. Atualmente, quem quiser encontrar uma peroba em Londrina, precisa procurar bem e em lugares específicos como o Parque Arthur Thomas, a Mata dos Godoy, o campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL); Marco Zero e Bosque Central, onde ainda existem algumas poucas perobas remanescentes.
O professor do curso de Ciências Biológicas da UEL, André Luis Laforga Vanzela, comenta que a região norte do Paraná vem sofrendo um processo contínuo de redução e fragmentação desde o início da sua colonização até os dias de hoje. Vanzela trabalha no Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas (Labre) da UEL e é um dos coordenadores de um projeto que estudou a conservação da peroba-rosa em fragmentos florestais no norte do Estado. Segundo ele, estudos mostram que na região de Londrina, há pouco mais de 2% da área florestal primitiva, que consiste, principalmente, de pequenos fragmentos isolados. ''Em função da qualidade da sua madeira, a peroba-rosa foi largamente explorada pela construção civil. Existem várias evidências indicando que esta árvore é uma espécie-chave nos ecossistemas florestais do norte do Paraná'', explica.
Durante o projeto, concluído em 2003, alunos da UEL colheram sementes do alto das perobas plantadas no campus para produzir mudas. Vanzela explica que algumas perobas já foram plantadas em diversos pontos da área rural de Londrina mas nem todas estão se adaptando. Por se tratar de uma árvore secundária, que precisa estar em meio de outras árvores, nem todas as mudas vingam. ''Concluímos que novos estudos são urgentes para estabelecer uma base segura para manejo da peroba-rosa. Hoje, muitas perobas daqui da UEL, por exemplo, morrem porque vivem sozinhas e são alvos fáceis de raios'', salienta.
Em condições normais de floresta, a peroba se torna reprodutivamente ativa por volta dos 50 anos de idade - quando apresenta um diâmetro de 30 a 40 cm. Este é justamente o tamanho a partir do qual são selecionadas as árvores para extração comercial. O tamanho da árvore e a demora para que se desenvolva é um dos fatores que levam a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) a não incentivar o plantio da espécie na área urbana de Londrina.
O diretor operacional da Sema, Gerson Galdino, diz que ainda é possível avistar algumas perobas em vias públicas, como na Rua Charles Linderberg, no Jardim San Fernando (Zona Leste) e em algumas ruas no Conjunto Maria Lúcia (Zona Norte). Um local onde a reportagem da FOLHA encontrou mais de dez perobas adultas foi em torno da Praça Angelo Cretá, área verde situada no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte).
Galdino salienta que o tamanho da árvore é um fator de risco na zona urbana. Mesmo assim, a Sema não pode cortá-las, mesmo quando ameaçam cair, pois é preciso autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para retirar a madeira do local.
''Uma árvore grande como a peroba pode fazer bastante estrago se cair. Para fundos de vale ou na zona rural, a árvore pode ser indicada, mas ela é uma espécie que não pode ficar sozinha pois precisa de sombra para se desenvolver. Se plantarmos uma peroba num canteiro central, por exemplo, ela demorará anos para crescer'', explica Galdino.
O Viveiro Municipal de Londrina produz mudas de peroba que são distribuídas para produtores rurais. Aparecido Pontes, que trabalha no setor de plantio do viveiro, disse que é difícil obter sementes, mas quando há mudas, sempre tem gente querendo. ''As pessoas gostam muito por ser muito bonita e também por já ter sido um símbolo da cidade''.


