Onda de migração cria mais favelas
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sábado, 26 de julho de 1997
Giovani Ferreira Ponta Grossa 
Celso MargrafPólo de atraçãoCondomínio social em construção, que deverá ser entregue em agosto; nem as decepções tiram da cabeça dos lavradores o sonho da cidade grande Cidade pólo dos Campos Gerais, uma das principais regiões econômicas do Estado, Ponta Grossa vê crescer o número de favelas e aumentar o problema social de milhares de famílias que vivem em condições de miséria na periferia do município. De acordo com um levantamento realizado pelo Departamento de Assuntos Comunitários (Depac), da prefeitura municipal, atualmente existem 124 focos de favelas espalhados ao redor da cidade.
Segundo Ismail Rodrigues dos Santos, o Bill , diretor do Depac, são mais de oito mil famílias e uma população de aproximadamente 25 mil pessoas povoando a periferia e contribuindo para o crescimento acelerado das favelas. Hoje as pessoas que vivem nas favelas de Ponta Grossa representam em torno de 10% da população do município, que é de 256 mil habitantes (IBGE).
Ponta Grossa começa a sentir o drama social dos grandes centros. São pessoas da zona rural e também da zona urbana de outros municípios da região que estão inchando as favelas de Ponta Grossa, diz Bill. São pessoas que vêm em busca de emprego e melhores condições de vida mas deparam-se com uma realidade completamente diferente.
Somente no ano passado, o número de favelas em Ponta Grossa cresceu 26%. Elas são formadas em áreas irregulares, do município, às margens das rodovias e até das estradas de ferro. Grande parte dos barracos são erguidos em áreas de risco, próximos a barrancos, redes de energia elétrica e de terrenos que servem para depósito de lixo e por onde passam esgotos a céu aberto.
O município também começou a se preocupar com o problema legal da invasão das áreas públicas. Apesar de não saber com exatidão quantas e qual o tamanho total das áreas públicas, a prefeitura tem uma estimativa que aproximadamente 80% dos terrenos municipais estão ocupados irregularmente.
As maiores zonas faveladas do município estão nas vilas Francelina, Coronel Cláudio e Belém, que juntas abrigam mais de mil famílias. Conforme cadastramento do Depac, o principal problema das famílias que vivem em condições de miséria na periferia da cidade é o desemprego e a falta de moradia, que trazem como consequência a fome, a desnutrição, os problemas de saúde, assitência social e o aumento da criminalidade.
Grande parte das pessoas que vivem desempregadas na periferia da cidade são procedentes de cidades menores da própria região dos Campos Gerais. Todos são atraídos pela promessa de emprego na cidade-pólo da região.
Porém, as estatísticas mostram que a realidade é totalmente diferente e que não vale a pena deixar o campo ou a cidade do interior para se aventurar nos grandes centros. O Depac acredita que 50% da população que vive nas favelas é desempregada; 30% tem emprego e recebe no máximo 1 salário-mínimo; e 20% das pessoas trabalham esporadicamente, desenvolvendo trabalhos alternativos.
Para o diretor do Depac, a situação é preocupante. Apesar disso, Ponta Grossa vive uma fase de desenvolvimento econômico, promovida com a chegada de novas empresas. Precisamos fazer com que o desenvolvimento social aconteça paralelo ao crescimento econômico-industrial, sob pena do problema das favelas fugir ao controle do município, disse Bill.


