No fim de mais um dia de trabalho a cabeleireira Iraídes dos Santos deixa Curitiba e enfrenta cansada a viagem de volta para casa, em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Iraídes se concentra para não pegar no sono no trajeto, porque sabe que se dormir e perder o ponto de parada do seu bairro, estará exposta à ação de estupradores. ‘‘A situação está preocupante na cidade. Soube de uma garota que dormiu demais e teve que descer em ruas afastadas e acabou morta e violentada’’, disse.
O medo de Iraídes é reflexo de uma onda de estupros que está atingindo Rio Branco do Sul, com a polícia registrando uma média de um caso de violência sexual por semana. O delegado Antonio Rocha Filho informou que apesar do grande número de casos a população não modificou seus hábitos, o que facilita a ação dos estupradores. ‘‘As meninas continuam andando pelas ruas normalmente como se nada estivesse acontecendo’’, reclamou. Rocha Filho disse que a maioria das vítimas são moças entre 14 e 20 anos, e que os estupros acontecem nos dias de semana depois das 22 horas, ‘‘quando as moças que trabalham fora começam a voltar para a cidade.’’
O delegado reclamou da falta de viaturas e de agentes para policiar a cidade. ‘‘Tenho quatro policiais e duas viaturas para atender uma cidade de 30 mil pessoas, o que é inviável’’, disse. Outro indicador da quantidade de casos de violência na cidade é o perfil dos presos que estão na delegacia. Rocha Filho aponta que, dos sete prisioneiros, três são estupradores.
Crimes - O primeiro caso da série de estupros aconteceu no dia 26 de março, quando uma estudante de 15 anos foi atacada, mas sobreviveu. As circunstâncias desse crime estão sendo mantidas sob sigilo pela polícia, para não atrapalhar as investigações. No dia 6 de abril o corpo de Santina Alves de Faria, 21 anos, foi encontrado em um matagal com a cabeça decepada. Santina estava grávida de três meses.
O terceiro estupro foi descoberto pela polícia no dia 10 de abril, tendo como vítima a balconista Jocélia Santos, 18 anos. Jocélia estava desaparecida desde o dia 8, quando voltava do lanchonete em que trabalhava em Curitiba. Nessa ocasião, segundo testemunhas, Jocélia dormiu no ônibus e acabou perdendo o ponto de desembarque. Foi a última vez que foi vista com vida. Seu corpo foi encontrado em um bosque. Segundo a polícia, o laudo do Instituto Médico Legal ainda não está concluído, mas o fato de a vítima ter sida encontrada despida indica que ela pode ter sofrido violência sexual.
Nessa segunda-feira o motorista Henrique Pinto Ramos, 45 anos, foi preso como suspeito da morte de Santina Alves de Faria. A situação de Henrique ficou mais complicada depois do depoimento da irmã da vítima, D.L.A., 16 anos, que informou ter visto o motorista convidar Santina para um encontro, no local onde aconteceu o crime. Outro fato que incriminou ainda mais o acusado, foi a alegação da família de Santina que Henrique estava pressionando para que a garota interrompesse a gravidez por não querer assumir o filho.

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