Onda de boatos leva milhares à fila da casa própria
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Marcos BorgesTentativaElza Araújo recebe senha na fila da Cohab: Há muito tempo eu sonho em ter uma casa própriaBoatos de que a Companhia de Habitação de Londrina estaria fazendo as últimas inscrições para interessados em adquirir casa própria têm levado milhares de pessoas até a sede da Cohab, no centro da Cidade. A movimentação começou há 15 dias. Ontem, por volta das 8h30, cerca de 150 pessoas aguardavam na fila - que dobrava o quarteirão - o recebimento de senhas para atendimento.
O pedreiro Ademilson Gomes da Silva, 20 anos, casado, dois filhos, disse que ficou sabendo das inscrições através de um amigo. Desempregado há quatro meses, ele espera conseguir a casa própria. Em qualquer lugar da Cidade está bom. Não dá para ficar no aluguel.
Elza Araújo Carneiro Santos, 31 anos, mora numa casa alugada no parque Ouro Verde. Ela chegou na Cohab às 5h40, levando dois filhos pequenos, e pouco antes das 9 horas recebeu a senha para fazer a inscrição no próximo dia 20. O marido dela trabalha como frentista e recebe salário de R$ 300,00, dos quais 30% são destinados ao pagamento do aluguel da casa onde moram. Sonho em ter uma casa própria, diz Elza.
O setor de atendimento social da Cohab informou que está sendo distribuída uma média de 150 senhas por dia, para que as pessoas retornem nas datas marcadas para efetuar as inscrições. Muitos candidatos a mutuários chegam de madrugada para garantir os primeiros lugares da fila, mas o atendimento social da Cohab avisa que isso é desnecessário: o atendimento começa às 8h30 e, segundo a companhia, todos serão atendidos.
O diretor-presidente da Cohab, José Caetano Perry, disse que a corrida à companhia foi motivada pela informação distorcida entre os moradores dos conjuntos habitacionais. Estão dizendo que estamos fazendo as últimas inscrições para comercializar imóveis, ele revela. Perry diz que as pessoas que têm ido à companhia serão inscritas, mas terão que aguardar a liberação de recursos para programas de moradia popular.
Perry diz que essas pessoas serão cadastradas e retornarão nos dias 28 deste mês e 3 de março para se inscrever. Assim que a Cohab conseguir recursos para iniciar as construções, as que estão inscritas terão prioridade. Aquelas que já fizeram inscrições, mesmo que há vários anos, não precisam comparecer à companhia. O presidente Perry diz que, através de deputados, a prefeitura vem tentando recursos do exterior para financiar o setor da habitação.
De acordo com a Cohab, o déficit habitacional em Londrina é de 20 mil moradias. De janeiro até hoje, foram recebidas 3 mil novas inscrições para a casa própria. Há ainda, segundo Perry, cerca de 3.500 pessoas forçando para que a Cohab as atenda. São ocupações irregulares, num total de nove grupos, que estão em fundos de vales, de favelas e de conjuntos habitacionais.
José Caetano Perry diz que uma alternativa para a questão do déficit habitacional será o programa adotado pela companhia de habitação de Curitiba, de financiamento da compra dos terrenos e dos materiais básicos, ficando a construção por conta do mutuário. Vamos dispensar as construtoras, barateando o custo.


