Onda de assaltos chega até os bares
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segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Áureo Nogueira 
Após o expediente você relaxa à mesa de um bar tomando um chope e batendo papo com amigos, certo? Não. Tarde da noite, você namora ou paquera tranquilamente em um bar, certo? Não. No começo ou no final da noite você está correndo risco de ser personagem de um assalto e passar o maior susto da sua vida.
Nas últimas semanas tem ocorrido uma verdadeira onda de assaltos a bares, no início da noite, durante a madrugada e até de dia. Os proprietários evitam fazer registro policial, com medo de represália e, principalmente, de afastar a clientela. Com exceção do proprietário do Clube da Esquina, Jones Castanho, todos pediram à Folha, para mantê-los no anomimato. Mas admitiram que estão em pânico com os riscos da nova onda.
Além do grande susto com a violência de um assalto, os barmen temem pelo prejuízo. O movimento já está muito fraco, um verdadeiro terror. A ocorrência de assaltos afugenta ainda mais a freguesia, queixa-se o proprietário de um tradicional bar da área boêmia da cidade, pedindo para não ser identificado. Meu bar já foi assaltado e os fregueses saíram daqui muito assustados. Nem fiz registro da ocorrência. Se for publicada reportagem, corro o risco de ficar às moscas.
O proprietário do bar acha que a única forma de minimizar os riscos é realizar rondas policiais periodicamente nos bares mais frequentados. Não vejo necessidade de destacar grande número de policiais. Bastaria uma viatura fazer ronda a cada hora para dar um pouco mais de tranquilidade, sugere.
Jones Castanho, do Clube da Esquina, é pessimista. Ele entende que há um sentimento de impunidade que toma conta do País e dificulta uma solução. Mas Jones critica também o aparelho policial. E até faz proposta para combater a onda de assaltos a bares.
Estamos na era da informática. As polícias deveriam estar muito mais equipadas, diz o barman, para propor a instalação de equipamentos que permitam acionar a segurança policial com um simples toque de botão. Este sistema já está disponível, mas lamentavelmente apenas para proteger os grandões, os bancos.
Os frequentadores de bar também estão receosos. É horrível você ir ao um bar para relaxar ou namorar e ficar preocupado com o risco de um assalto, diz Nilton Marques, o Poca, vítima de assalto em um bar. Ele destaca o aumento da violência urbana e da insegurança em Londrina. Até há pouco tempo era possível fazer xixi de porta aberta.
Falando da sensação de ser personagem de assalto, Poca diz que a melhor palavra para defini-la é impotência. A gente fica à merce dos assaltantes. Não dá sequer para pensar em qualquer tipo de reação. É um grande risco, que provoca sensação muito desagradável.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, admite dificuldade para impedir os assaltos. Mas assegura que as estatísticas apontam uma redução de casos. Wanderci destaca que a própria população pode auxiliar no combate ao crime. É importante que as vítimas façam denúncia sem medo nem receio e tomem alguns cuidados, diz o delegado-chefe, explicando que a falta de denúncias ou medo de reconhecer criminosos dificulta o trabalho da Polícia.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Ademir Costa, também entende que os proprietários de bar, assim como toda vítima, deva contribuir para o combate à criminalidade. O comandante pede aos comerciantes que se mobilizem. Estou à disposição e gostaria que os comerciantes me procurassem para que possamos discutir essa questão e encontrar as soluções.
O coronel Costa gostou da proposta de criação da ronda dos bares. Ele entende que a ronda pode ser viabilizada. A repressão a assaltos a bares é ainda mais difícil, porque o número de estabelecimentos é muito grande, além de que muitos proprietários sequer comunica as ocorrências, argumenta o comandante, reiterando a disposição de discutir o problema com os comerciantes.


