Onda de assaltos atinge a zona norte
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sábado, 14 de dezembro de 1996
Paulo Ubiratan 
Quatro homens armados com pistolas e revólveres assaltaram, no início da tarde de ontem, o posto avançado do Banestado, localizado na avenida Saul Elkind, nos Cinco Conjuntos (zona norte). Foram roubados R$ 27,18 mil em dinheiro e R$ 4,7 mil em cheques. Vinte clientes e seis funcionários se encontravam no posto e, sob a ameaça das armas, foram obrigados a se encostar nas paredes. Nenhuma testemunha quis se identificar, mas elas contaram que o roubo não demorou mais que três minutos. Ninguém saiu ferido.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, disse à Folha que tem referenciais para desconfiar de que os assaltantes sejam integrantes das quadrilhas formadas pelos ex-policiais militares Nilson Lopes, o Nilsinho, e João Carlos Santos. Eles foram presos anteontem junto com os ladrões José Nilson e Marco Antônio Macedo. Segundo as testemunhas, um dos ladrões parece ter idade superior a 40 anos, e os demais têm entre 20 a 25 anos.
As testemunhas disseram que os ladrões invadiram o local sem máscaras. Enquanto três deles tiravam o dinheiro dos caixas, um outro ficou vigiando a porta de entrada, mantendo o vigia na mira de sua pistola, possivelmente modelo 380. O vigia pertence à empresa de segurança Sentinela e entregou seu revólver calibre 38 ao ladrão. Nos últimos dois meses, os assaltantes já levaram três revólveres da mesma empresa.
Um comerciante que trabalha em frente ao banco viu quando eles fugiram no Santana Quantun, cor vermelha, placas ADB-5966, que havia sido furtado pela manhã em frente à Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), localizada perto da Prefeitura, na avenida Duque de Caxias. Minutos depois do assalto, o veículo foi abandonado nas proximidades da creche José Richa, no conjunto Violin, nos Cinco Conjuntos. Moradores das proximidades viram apenas um homem abandonar o carro e sair correndo, tomando rumo ignorado. A polícia acredita que, na fuga, os outros quadrilheiros tenham embarcado em outro veículo.
A enferemeira L.M.C., 52 anos, entrou no banco junto com os ladrões. Ela contou que só se deu conta da ação dos quadrilheiros quando teve uma arma encostada na cabeça e eles começaram a gritar que era um assalto. Uma amiga que já estava no banco começou a dar gargalhadas, acho que de nervosa, perguntando se eu estava junto com os bandidos, disse a cabelereira. A aposentada M.J.T., 63 anos, que estava na fila do caixa revelou, com constrangimento, que o pavor afrouxou-lhe a bexiga.


