Londrina

Marcos BorgesPavor no larO pedreiro José Antônio Inácio: marginais armados dentro de casaMoradores do jardim Ideal (zona leste) estão preocupados com a onda de assaltos que tomou conta da região nos últimos meses. Segundo informam, quase todas as famílias do bairro ou foram vítimas dos marginais ou têm um vizinho ou amigo que já passou por essa experiência recentemente. Em muitos casos, os assaltantes invadem as residências ou lojas comerciais armados e provocam terror, com ameaças de morte.
Uma das soluções apontadas pela própria população é a construção de um módulo policial no bairro, mas a Polícia Militar diz que não tem efetivo suficiente para isso.
Na última segunda-feira à noite, pouco antes das 20 horas, foi a vez de uma locadora da rua Tremembés receber a visita dos marginais. A sócia-proprietária Flávia Pinheiro Vargião conta que já pensava em fechar a loja quando surgiram dois homens armados e com gorros de lã na cabeça, para esconder o rosto. Além de Flávia, estavam na locadora a funcionária Adriana Tognon e dois clientes - uma senhora, que escolhia fitas de vídeo na sala principal, junto à entrada da loja, e outro numa sala interna.
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‘‘Eles entraram rápido e um disse: ‘Fecha a boca que isso é um assalto. Se falar alguma coisa leva bala’. Eu fiquei apavorada e comecei a gritar’’, lembra Flávia, ainda abalada pela experiência. Em um ano e meio trabalhando no local, esta foi a primeira vez que a loja foi assaltada, apesar das várias tentativas de arrombamento.
Flávia conta que continuou gritando até que um dos assaltantes a agarrou pelo pescoço e a jogou no chão, perto da cliente, que já estava deitada. Depois eles pegaram cerca de R$ 100 que estava no caixa, reviraram as bolsas de todos, inclusive a carteira do outro rapaz que estava na loja e também foi dominado. ‘‘Um deles não queria ir embora, queria ficar na locadora, para fazer não sei o qu꒒, observa Flávia. ‘‘Até que o outro o convenceu e eles saíram.’’ Os assaltantes fugiram com a mobilete da cliente. Eles chegaram à locadora sem condução.
‘‘Eu acho que a gente não tem segurança. A PM passa muito pouco, parece que não se incomoda com o que está acontecendo; está uma marginalidade total aqui no bairro’’, revolta-se Flávia. ‘‘Se a gente paga impostos em dia, mereceria uma segurança melhor. A polícia tem uma responsabilidade muito grande, que é com a vida das pessoas.’’
‘‘Parece que está fácil demais, eles chegam e assaltam com muita tranquilidade’’, aponta o pedreiro José Antônio Inácio. Há duas semanas, dois marginais (um deles armado com revólver calibre 32) invadiram a casa dele, na rua Grafita, próxima do Grêmio Literário. No momento do assalto, estavam na casa a esposa de Inácio e os quatro filhos, de 9, 10, 16 e 17 anos. O pedreiro chegou um pouco depois, gritou com os marginais e também acabou sendo ameaçado. No final, eles levaram vídeo-game, roupas, dinheiro e passe de ônibus. E por pouco também não levam objetos de maior valor, como bicicleta e aparelhos de som e de televisão: depois que Inácio chegou, resolveram fugir para não despertar maior atenção.
‘‘Um deles deitou o meu menino de nove anos e falou que ia dar um tiro na cabeça dele. O garoto ficou muito assustado’’, aponta o pedreiro. Ele acredita que os assaltantes sejam pouco experientes no ‘‘ofício’’, já que um dos filhos, que estava tomando banho na ocasião, saiu do banheiro sem que eles percebessem e foi à casa da vizinha chamar a polícia. O próprio pedreiro diz que, quando foi abordado pelo homem que estava armado, ainda no portão da casa, teve várias chances de desarmá-lo. ‘‘Ele era magrinho, mais fraco que eu, e virava as costas para mim com a arma apontada em minha direção.’’
O pedreiro lembra ainda que, uma semana depois do assalto, arrombaram a perua Kombi de um colega, na mesma rua; depois foi a Belina de outro; e em seguida ladrões tentaram arrombar a casa da vizinha. Ele admite, no entanto, que nunca chegou a reclamar para a polícia para aumentar o policiamento. ‘‘Mas eu não vejo PM fazendo a ronda, só mesmo quando a gente chama’’, observa. Para ele, a solução poderia ser a construção de um módulo policial na região. ‘‘Ficaria mais rápido, porque o bairro é pequeno.’’
Com mais de 20 anos morando na Vila Iara, na rua Cassiteritas, as vizinhas Madalena Marques Miyadera e Júlia Castilho Arantes comentam que nos últimos tempos a violência realmente tem aumentado bastante. ‘‘Outro dia meu marido viu quatro rapazes entrando na casa da esquina. Eles arrebentaram a porta e o vizinho chamou a polícia, mas fugiram. A padaria aqui do lado também já foi assaltada’’, informa Madalena.
Júlia Castilho lembra que há menos de duas semanas um rapaz foi baleado no bairro, provocando um grande susto em toda vizinhança. Ela diz que à noite a situação ainda é um pouco mais tranquila, já que tem um guarda noturno particular que percorre as ruas do bairro. Mas durante o dia não há muita proteção. ‘‘Raramente a gente vê policiamento aqui. Eles até passam, mas passar só não resolve nada. A coisa está feia’’, completa Madalena.

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